Opinião

A cerveja não pode faltar!

A cerveja não pode faltar!

Li que os trabalhadores da LECA, distribuidora da Super Bock, estarão em greve nos próximos dias. Desejo ardentemente (no caso, é mais refrescantemente) que o Governo imponha serviços mínimos de forma a que todos os consumidores tenham direito a comprar cinco litros. É que estamos em pleno verão!...

O parágrafo anterior é para ser lido com a bonomia que a época exige. Mas por trás do mesmo estão coisas muito sérias que mostram que, atualmente, o direito à greve está a ser posto seriamente em causa com base na definição de serviços mínimos completamente abusivos.

Em Portugal, a Direita e o PS (sim, o PS!) procuram, por diversos meios, e, naturalmente, em convergência com o patronato, colocar em causa o direito à greve (na ditadura não era um direito, mas muitos a fizeram corajosamente!). A precariedade das relações laborais é um, dado que quem não tem trabalho assegurado tem mais dificuldade em fazer greve. Mas há mais. A diabolização dos grevistas que "não querem é trabalhar" ou são os "mamões dos funcionários públicos"! O silenciamento pela comunicação social das inúmeras greves que diariamente se fazem em empresas por todo o país. A ideia de que o país (confundido com patronato) está numa situação difícil, pelo que temos de "remar todos para o mesmo lado", mesmo que uns percam direitos e outros aumentem lucros.

A greve é, sempre, a última arma dos trabalhadores. Ou há consciência, por parte dos mesmos, de que os seus direitos (ou anseios) estão a ser fortemente violados, ou não há disponibilidade para a greve. Que implica perda de salário e tensão laboral. Por isso é essencial este direito, até porque nas relações laborais a parte do patronato tem sempre mais força do que a dos trabalhadores - daí a importância de legislação laboral que, pelo menos, atenue esse desequilíbrio (coisa que o Governo PS não quis fazer).

As greves implicam, sempre, prejuízo para alguém. Se uma greve não afetar ninguém para além daqueles que a fazem, naturalmente que está votada ao insucesso. Os serviços mínimos limitam, naturalmente, o impacto de uma greve. Devendo, apenas, ser impostos para assegurar questões essenciais como, por exemplo, serviços de saúde.

O Governo PS, nos últimos tempos, passou a linha vermelha no condicionamento do direito à greve, utilizando de uma forma completamente exagerada o conceito de serviços mínimos. Não foram só os serviços máximos da greve dos motoristas. São os serviços mínimos das viagens da Ryanair, é a hipótese de serviços mínimos para trabalho extraordinário e suplementar. Pelo que, a continuar assim, talvez venhamos a ter serviços mínimos para a distribuição da cerveja......

Perante esta ofensiva, não pode haver hesitações!...

*Engenheiro

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