Opinião

Agora as presidenciais portuguesas

Agora as presidenciais portuguesas

Assistimos, mais uma vez, ao desertar do PS na altura das presidenciais, com uma posição "neutra" que, objetivamente, é de apoio a Marcelo.

Dir-me-ão alguns que tal é natural, dada a "presidência dos afetos" e a cooperação institucional do presidente com o Governo. O problema não é esse. O problema é que, desde Jorge Sampaio, o PS tudo tem feito para a eleição de presidentes de direita, sejam eles Cavaco ou Marcelo. Em 2006, o PS, depois de Manuel Alegre se posicionar, decidiu lançar Mário Soares, abrindo a porta à vitória, na primeira volta, a Cavaco. Em 2011, na recandidatura de Cavaco, o PS apoiou Alegre, mas muitos dos seus dirigentes (incluindo Soares) estiveram empenhados na candidatura de Fernando Nobre... Em 2017, já depois de posicionado Sampaio da Nóvoa como um candidato capaz de agregar o eleitorado de esquerda, eis que surge Maria de Belém, apoiada "timidamente" pelo PS, para facilitar a vitória de Marcelo na primeira volta. E, agora, para 2021, temos o PS, novamente, a dar a mão a Marcelo.

Mas o dado novo é o facto de algumas figuras ligadas ao PS virem publicamente apoiar o candidato João Ferreira, apoiado pelo PCP. Depois da deputada Isabel Moreira e da vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, Paula Marques, também o deputado Ascenso Simões, manifestou esse apoio. E, pelos contactos que tenho tido com os meus amigos socialistas, estes apoios públicos não são isolados, dado que muitos me transmitem, embora não publicamente, esse mesmo apoio. Por não se reverem na agenda, marcadamente pessoal e com laivos de populismo, de Ana Gomes, por considerarem João Ferreira o candidato mais competente, por quererem "premiar" a postura séria que o PCP tem tido ao longo destes anos de governação do PS. A ver vamos.

*Engenheiro

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