O Jogo ao Vivo

Opinião

Assim não!

Por força da pandemia, que naturalmente limita o impacto da campanha eleitoral das presidenciais, dificultando um contacto mais direto dos candidatos com os eleitores, as entrevistas e os debates na Comunicação Social, particularmente nas televisões, assumem uma maior importância. Infelizmente, pelo que tenho visto, as coisas não estão a correr bem, muito por responsabilidade dos jornalistas que têm conduzido as entrevistas e os debates.

João Adelino Faria, que entrevistou individualmente os diversos candidatos na RTP, esqueceu-se que os telespectadores assistem a estas entrevistas para ouvir os entrevistados e não o entrevistador. Primou, assim, por impedir respostas que não fossem "sim" ou "não", lançando sempre novas perguntas antes de a anterior ter sido respondida, interrompendo raciocínios, ao mesmo tempo que exibia para a câmara um esgar de satisfação pelo "brilharete" alcançado. A coisa foi de tal maneira que, nas rádios que no dia seguinte faziam o rescaldo das entrevistas, era impossível ouvir uma frase do candidato sem que, pelo meio, não surgisse a voz (no contexto irritante) do jornalista.

No sábado assisti ao debate entre João Ferreira e André Ventura, na TVI24, moderado por Carla Moita. André Ventura, com o estilo CMTV e com a tarimba de comentador de programas desportivos rascas, interrompeu sucessivamente João Ferreira, adotando a velha tática de, "quando não me interessa o que ele diz, mais vale uma peixeirada para que ninguém o entenda". Gabo a paciência e a elevação de João Ferreira, perante a ausência da moderadora, de quem se exigia pôr um travão à má criação de André Ventura, não se limitando a constatar, como o fez passados apenas seis minutos de debate, que o mesmo "estava em roda livre". Vamos lá ver se a coisa melhora!

Engenheiro

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