Opinião

Debates presidenciais: um balanço

Debates presidenciais: um balanço

Assisti, em direto ou em diferido, a todos os debates entre os candidatos à Presidência da República.

Bem sei que a maior parte das pessoas vê estes debates com uma tendência clubística que faz com que consideremos, sempre, que se o nosso jogador cai na área adversária é penálti e, se for o adversário a cair na nossa, é simulação.

Não sendo eu imparcial, creio que consigo ver estes debates com algum distanciamento, até porque tenho a experiência dos inúmeros debates televisivos em que participei.

Com esse distanciamento, creio que houve três candidatos que saíram dos debates com mais votos do que aqueles com que entraram. João Ferreira, pelo nível de conhecimento e de segurança que evidencia, situação reforçada aquando do debate com André Ventura, em que manteve nervos de aço, não se deixando arrastar para a lama em que este o procurou envolver. Tiago Mayan Gonçalves, porque ninguém o conhecia e, à direita, soube marcar as diferenças relativamente a Marcelo e a Ventura. E este, porque teve um palco para as suas vergonhosas diatribes, baseadas na mentira, nos insultos, no apelo aos sentimentos humanos mais primários - e o populismo, por definição, ganha votos...

Creio que Marcelo e Ana Gomes não ganharam, mas também não perderam votos. Se para o primeiro, confortável com as sondagens, esse era um objetivo estratégico, a segunda creio que ficou enleada entre a vontade de defender, com a combatividade que se lhe reconhece, as suas ideias "antissituação" e o receio de afastar o eleitorado do PS.

Marisa Matias perdeu votos (demasiado "mel" com Marcelo e um desastre com Ventura, deixando-se arrastar para a lama) e Constantino Silva mostrou as suas limitações, não acreditando que repita o excelente resultado obtido em 2016.

Mas, apesar destas minhas opiniões, também aqui, "prognósticos só no fim do jogo"!...

PUB

*Engenheiro

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG