Opinião

Deixem-se de tretas e atuem!

Deixem-se de tretas e atuem!

Ciclicamente a VCI (batizada de A20 ou, para aqueles que gostam de imitar Lisboa, a CRIP - Circular Regional Interna do Porto) volta ao discurso dos presidentes de Câmara, designadamente do Porto e de Gaia, devido ao seu congestionamento. Quando isso acontece já há muito tempo que os condutores desesperam com o pára-arranca que, designadamente nas horas de ponta, inferniza as suas vidas...

Naturalmente que, nos últimos tempos, a VCI registou um significativo aumento do tráfego: depois dos anos de crise, o aumento do emprego e o crescimento da economia trazem muitas mais viaturas às (auto) estradas portuguesas. Eduardo Vítor Rodrigues e Rui Moreira apontam as baterias ao facto de a designada CREP - Circular Regional Exterior do Porto (que, partindo de Espinho, contorna o centro do Grande Porto pelo leste de Valongo até Matosinhos, com interseções na A1 e na A3) ter, por decisão do Governo de Sócrates, portagens. O que faz com que as viaturas de longo curso do eixo Sul-Norte, designadamente de pesados de mercadorias, optem por atravessar a VCI, pela Arrábida ou pelo Freixo, onde não há portagens e se poupam cerca de 20 km de distância, apesar dos engarrafamentos.

Rodrigues e Moreira têm, naturalmente, razão nesta crítica. Nada justifica que existam portagens numa via construída para descongestionar outra onde não existem portagens. Corremos é o risco, conhecendo as "peças", que se implementem portagens na VCI - tese já defendida publicamente por várias pessoas!...

Mas, verdadeiramente, esta reivindicação de eliminação das portagens na CREP deixa para segundo lugar o mais importante: a falta de uma verdadeira rede de transportes públicos, designadamente ao nível do metro, que sirva o centro do Grande Porto. Não é possível que o Porto e Gaia não estejam ligados por metro na zona ocidental (Arrábida). E que a circular interior do Porto fique pela Galiza, não indo ao Polo 2 da Universidade - sabendo-se que os estudantes são uma fatia muito significativa dos seus utentes. Ou que os parques de estacionamento periféricos junto às estações do metro se contem pelos dedos.

A que acresce a inexistência de uma política para a VCI que permita, efetivamente, minimizar os problemas que diariamente surgem, designadamente com acidentes. E que cuja solução passa pela criação de brigadas rápidas de intervenção, constituídas por Polícia de Trânsito e reboques que deveriam estar estacionados nas suas proximidades e prontos a intervir quando ocorresse um toque sem grandes consequências mas que causa filas intermináveis. Ou a criação da possibilidade de desvio do trânsito para a outra faixa (através de abertura do separador central) quando o acidente envolve pesados - evitando o encerramento do trânsito num sentido durante horas, como acontece frequentemente.

É fundamental, assim, que os presidentes de Câmara não se limitem a atirar as responsabilidades para a Administração Central (por mais razão que tenham - e têm - nesta matéria), empenhando-se em ser mais criativos naquilo que está no âmbito das suas próprias responsabilidades.

ENGENHEIRO

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