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Opinião

E agora, Ruis?

Todos sabemos que Rui Moreira, enquanto presidente da Câmara Municipal do Porto, é uma "criação" de Rui Rio. Que, sabendo da ambição do seu "ódio de estimação", Luís Filipe Menezes, de mudar-se de Gaia para o Porto, decidiu preparar, laboriosamente, uma alternativa ao candidato que, sabia-o, seria apoiado pelo seu próprio partido.

Foi assim que Moreira, que nos primeiros tempos de Rio nem sequer era "persona grata" pelos Paços do Concelho (diz-se, aliás, que era um dos nomes que o PS ponderava apresentar contra Rio em 2009...), começou a ser convidado, pelo próprio Rio, para cargos do universo autárquico do Porto. Daí, vermos Moreira a chefiar um grupo de trabalho a analisar a linha do metro no Campo Alegre e, mais tarde, a presidir à Sociedade de Reabilitação Urbana Porto Vivo. Cargos que, independentemente dos seus méritos e apetências, tinham o objetivo claro de criar currículo e notoriedade autárquica.

O resultado é conhecido: Moreira, com o apoio de Rio, ganhou as eleições contra Menezes, sendo que Rio (a pensar nos voos que agora trilha) escondeu sempre a mão da pedrada, certeira, que desferiu contra Menezes e o partido que, agora, o elegeu como líder (será engraçado ver como, no futuro, lidará com os militantes do PSD que não apoiarem os candidatos do... PSD!).

Mas Rui Moreira, que tal como outro Rui, é tudo menos o boneco do filho de um treinador de futebol, mal se viu na cadeira (de sonho?) dos Aliados, logo se empenhou em "matar" o seu Criador. Prevenindo qualquer tentação de Rio para regressar à Câmara e procurando libertar-se da sua sombra. Foi assim que realçou diferenças evidentes em determinados dossiês (o da cultura foi o mais notório). E que começou a fazer "cair" notícias sobre "erros" e "irregularidades" da governação de Rio (auditorias, processo do bairro do Aleixo) -, o que toldou o relacionamento entre ambos.

De tal modo que, em 2017, Rio (também a pensar na sua "reabilitação" perante o partido...) já apoiou (embora com pouca convicção e disponibilidade) o candidato do PSD contra Moreira.

Sendo que, nestes três primeiros meses de mandato autárquico, o PSD Porto tem vivido num limbo sem saber o que fazer: criar pontes com o movimento de Rui Moreira, procurando o casamento para as eleições de 2021 (para as quais Rui Moreira diz não estar disponível)? Ou encetar um verdadeiro papel de oposição que prepare uma alternativa credível para essa data?

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Com a eleição do novo presidente do PSD espera-se, agora, uma clarificação. E não deixará de ser curioso, com todos estes antecedentes, saber quais as indicações de Rio para o Porto. Eu, conhecendo-o como conheço, suspeito que sei a resposta...

*Engenheiro

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