Opinião

A Festa

Como manda a tradição, escrevo este texto a partir do Seixal, onde participo, mais uma vez, na Festa do Avante! E, sabendo ao que vim - só não participei em 5 das 40 edições -, surpreende-me sempre como ela se apresenta renovada e diferente. Durante anos, quando a Festa andava com a casa às costas, passando da FIL, em Lisboa, para o Jamor, daqui para o Alto da Ajuda, mais tarde para Loures e depois para a Amora, no Seixal, a mudança de local contribuía, por si só, para fazer uma Festa diferente. Mas, depois de tantos anos no atual espaço (apesar do alargamento da área que ocorreu há três anos com a incorporação do terreno da Quinta do Cabo), a Festa continua a surpreender. São as mudanças de localização dos vários pavilhões, é a notória e sistemática melhoria das condições proporcionadas aos visitantes, são as inovações que se vão introduzindo (este ano o espaço internacional transbordou para terrenos adjacentes), são os temas das exposições e a arquitetura e decoração dos pavilhões, são os artistas que mudam, apesar de haver os "habitués". E, naturalmente, o contexto político em que se realiza e a idade com que participámos, porque cada ano é... um ano.

Mas, apesar destas inovações, há uma marca que se mantém inalterável que é a da fraternidade. Que apenas se consegue porque, entre a grande maioria dos participantes, há a cumplicidade de quem partilha causas e lutas. Que contagia aqueles que não as partilham, que se sentem bem neste ambiente. Que perpassa pelos jovens com roupas excêntricas que se sentam ao lado daqueles com "fato de domingo" e banquinho debaixo do braço. Que faz com que aqueles que saltam ao som do rock respeitem o silêncio daqueles outros que se deleitam a ouvir um concerto de música clássica.

É este ambiente, aliado a um multifacetado programa que faz com que os participantes (de todas as idades) possam escolher o que ver e participar de acordo com os seus interesses: os vários tipos de expressão musical, o teatro, o cinema, as artes, a ciência, o desporto, a gastronomia, o artesanato, os divertimentos, tudo naturalmente acompanhado por uma forte componente política, com exposições, debates, comícios e a partilha das atividades de organizações políticas dos cinco cantos do Mundo. Programa que faz com que a Festa seja, indubitavelmente, o maior evento cultural do país.

Mas, para mim, veterano da Festa, o que me continua a comover é a forma como milhares de pessoas, por militância ou pela amizade e pelo convívio, constroem e asseguram o funcionamento da Festa. Dando o melhor de si sem esperarem qualquer recompensa que não seja a tranquilidade da sua consciência e a satisfação pessoal. E, desculpem-me a imodéstia, tal só é possível por ser o PCP que a organiza! Porque, de facto, o PCP é diferente...

ENGENHEIRO

ver mais vídeos