Opinião

O pior cego é o que não quer ver

Numa sessão da Assembleia Municipal do Porto, que se realizou em meados de junho, tive a oportunidade de alertar para a degradação do estado de limpeza da cidade. Sempre com o cuidado de considerar que as críticas pelo (mau) estado de limpeza se devem fazer, fundamentalmente, a quem suja (e não a quem limpa!), não pude deixar de referir que havia incompetência municipal (no caso da nova Empresa Municipal de Ambiente) pelo facto de ter assumido a limpeza da cidade antes de ter os meios humanos e técnicos necessários a essa tarefa - com a agravante de, durante os últimos 12 anos (8 de Rio e 4 de Rui Moreira), com a concessão dos serviços de limpeza a privados, se ter destruído o "saber fazer" e a experiência existentes nos serviços municipais.

Mas, nessa sessão da Assembleia Municipal, o vereador com o pelouro do Ambiente dizia que os meus alertas "não eram verdade", pintando cenários cor de rosa! Passadas três semanas, noutra sessão, voltei ao tema, até porque, entretanto, a situação se tinha agravado. Rui Moreira reconheceu que havia falhas e que, para outubro, esperava ter a situação resolvida. Li, agora, que juntamente com o seu vereador do Ambiente (no que não deixa de ser um cartão amarelo a este) decidiu acompanhar umas "voltas" noturnas dos serviços de limpeza, concluindo que, de facto "o Porto tem um problema de limpeza".

Ainda bem que o reconhece publicamente, porque a efetiva resolução dos problemas passa, em primeiro lugar, por não negar a realidade - como diz o ditado, o pior cego é o que não quer ver. E, aqui, o problema não é o de fazer a limpeza com meios públicos. É, isso sim, dotá-los dos recursos e competências adequados.

* ENGENHEIRO