O Jogo ao Vivo

Opinião

Lelé da cuca

A frase deste título tornou-se famosa pela pena do professor Marcelo, que a utilizou para adjetivar Pinto Balsemão.

Não terei a indelicadeza de caraterizar desta forma o presidente Marcelo, mas, confesso-o, tenho-me lembrado desta frase perante os seus últimos atos. Na tomada de posse de Bolsonaro, considerou que foi um encontro de irmãos, quando deveria ter dito que foi um encontro de representantes de povos irmãos.

Chegado a Portugal, os inenarráveis telefonemas para programas da manhã. Depois, no Panamá, com o anúncio oficial do agendamento das Jornadas Mundiais da Juventude de 2022 para Lisboa, teve uma "luz" que lhe apontou a vontade de se recandidatar em 2021.

Chegado a Portugal teve o lampejo de escolher, por ajuste direto e sem procedimento de pré-qualificação, João Miguel Tavares, caucionando (e promovendo!), assim, as suas teses direitistas, para comissário das Comemorações do 10 de Junho.

E agora, como tão bem sabe fazer, fez "fugir" a informação de que vetará a lei de bases da Saúde se a mesma não for aprovada com o PSD (esquecendo que a própria lei que instituiu o Serviço Nacional de Saúde mereceu a abstenção do PSD e do CDS na generalidade - e contra na especialidade).

O que significa que, para Marcelo, o problema é, de facto, a lei ser aprovada à Esquerda que, nisto de Saúde, e ao contrário do que diz a Constituição que jurou defender, Marcelo quer dar aos privados, com dinheiros públicos, um lugar de destaque...

Estou a escrever e concluo que o problema não tem nada a ver com lelé e tem tudo a ver com cuca. E, nesta matéria, a cuca do professor Marcelo é a mesma da do presidente Marcelo. Apesar de alguns, inebriados com tantos "afetos", o pareçam esquecer...

* Engenheiro