Opinião

Não brinquem com o Metro!

Não brinquem com o Metro!

A cerimónia que esta semana decorreu no Porto para apresentação das duas linhas de metro selecionadas para integrarem o pacote financeiro de 290 milhões de euros atribuídos pelo Governo no âmbito do Plano Juncker deixou-me com um misto de frustração e de "déjà vu".

Naturalmente que é positivo o retomar do projeto de expansão da rede de metro do Porto, parado há seis anos por decisões políticas de governos PS e PSD/CDS, com base nos argumentos austeritários de PEC e troikas - naquilo que constituiu um vergonhoso processo de incumprimento das contrapartidas negociadas para a região em 2007, quando a Junta Metropolitana do Porto transferiu para o Governo a administração da empresa como contrapartida pelo compromisso de construção de diversas linhas.

A sensação de "déjà vu" decorre do facto de, mais uma vez, se repetirem as intenções de realização de estudos para as linhas que não se aprovaram, procurando dar aos autarcas não contemplados um argumento para usarem nos seus municípios, designadamente em ano eleitoral (do género, "consegui uma grande vitória, comprometeram-se a fazer estudos, pelo que as obras se seguirão!"...). A que se seguiu o coro de acusações entre autarcas e estruturas locais do PS e do PSD que usam os mesmos argumentos, apenas alternados consoante qual destes partidos se encontra no Governo...

Mas a frustração prende-se com a linha da Trofa e com a linha anunciada para o Porto. Relativamente à Trofa, até posso aceitar que não seja rentável. Mas o que considero inadmissível é que o Governo não tenha apresentado, nesta cerimónia, uma solução que repusesse a mobilidade dos trofenses e honrasse o compromisso com estes assumido (não esqueçamos que a linha de comboio que os servia foi arrancada para construir a linha de metro, não tendo, há anos, nem uma nem outra!).

Quanto à linha do Porto, não é aceitável que a mesma fique "achatada". Ou seja, o tramo da "circular" anunciada como a ligação entre S. Bento e a Casa da Música, com estações no Hospital de St.o António e na Pr. da Galiza, deveria, obrigatoriamente, ir ao Palácio e ao Polo 3 da Universidade, no Campo Alegre. Afastando-se da linha Trindade/Casa da Música e servindo os milhares de estudantes deste Polo, para além daqueles que lá vivem e trabalham. Posso aceitar que o desenho proposto é aquele que se "encaixa" na restrição orçamental imposta pelo Governo. Mas uma linha do metro é uma obra para séculos, pelo que uma restrição orçamental pontual não pode condicionar o futuro. Razão pela qual não entendo nem o riso de satisfação nem o silêncio de Rui Moreira, que deveria estar a defender o mesmo que eu, afadigando-se a tentar encontrar alternativas de financiamento que permitam construir este traçado. Infelizmente, e sem ambição, vem falar-nos de "Metro-Bus", o mesmo que fez Nuno Cardoso em 2000 (precisamente nas ruas do Campo Alegre e Diogo Botelho) quando o metro patinava...

* ENGENHEIRO

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