Opinião

Sobre as eleições (3)

Sobre as eleições (3)

Termino hoje a análise que me propus fazer sobre os resultados das eleições para o Parlamento Europeu. Debruçando-me sobre o mau resultado da CDU, em quem votei.

Como já aqui referi há muito tempo, o PCP, quando incentivou e viabilizou a atual situação governamental sabia que estava a pôr os interesses do país e dos portugueses à frente dos seus próprios interesses (eleitoralmente falando). Ou seja, sabia que, depois de quatro anos de troika e PSD/CDS, em que se procedeu a um terrível retrocesso ao nível social, económico e político, era fundamental interromper esse caminho. O que aconteceu, sendo que, em alguns casos, não se ficou pela interrupção, tendo-se conseguido mesmo recuperar direitos que tinham sido eliminados. Para os comunistas, que veem o seu papel muito para além das eleições, esta foi uma vitória. Mas, em termos eleitorais, e esse risco era evidente, muitos não reconheceram este mérito, atribuindo-o a quem governa. Por outro lado, a descida eleitoral da CDU foi mais acentuada porque, em 2014, teve uma votação (12,7%) muito superior ao que têm sido os seus resultados.

Mas é também evidente que há dificuldades do PCP em passar a sua mensagem. Umas por culpas alheias: a Comunicação Social discrimina e trata mal o PCP (veja-se o estudo publicado no DN na semana passada que constata o óbvio: o PCP é o partido menos representado ao nível dos comentadores televisivos; ou o estudo da Marktest relativamente aos noticiários televisivos de maio, onde Jerónimo de Sousa e João Ferreira aparecem na cauda). Por outro lado, a mensagem é "difícil", porque o PCP não facilita nos princípios: não peçam aos comunistas para não tomarem partido sobre o que se passa na Venezuela para "ganhar" votos...

Mas também é evidente que o PCP continua a apostar em meios tradicionais de propaganda que já não resultam e cansam (as pessoas e os militantes que os colocam!), descurando novas formas de comunicação. Ou que a aposta em slogans genéricos não facilita a perceção das conquistas concretas alcançadas por ação do PCP. Ou que a JCP tem de ter a capacidade de não ser o "PCP dos jovens", adequando linguagem e causas àqueles a que se dirigem. Ou que, mesmo que considere determinados assuntos laterais, não pode escamotear a intervenção nos mesmos, porque eles interessam às pessoas. Ou que, dentro da CDU, os Verdes assumam mais protagonismo com o seu intenso trabalho em prol das causas ecologistas. Ou seja, há causas objetivas e externas que prejudicam o PCP. Outras que decorrem da sua coerência e honestidade na prática política (que os tempos que se vivem não "premeiam"). Mas importa atuar naquilo que está nas suas mãos para alterar a situação.

*ENGENHEIRO