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Opinião

Tenha vergonha, senhor ministro

Tenha vergonha, senhor ministro

Creio que o Porto continua a ser, na globalidade, uma cidade segura.

Mas é inadmissível que existam zonas na cidade do Porto (ou noutro qualquer município) onde os cidadãos não se aventuram com receio do que lhes possa acontecer. E é ainda mais inadmissível que cidadãos que em nada contribuem para esse sentimento de insegurança vivam reféns na sua própria casa, com medo de sair, com medo que o consumo de droga seja a única perspetiva de vida apresentada aos seus filhos, com vergonha de dizerem onde vivem pelo receio de serem associados, de uma forma estigmatizante, ao tráfico e ao consumo de droga.

Como aqui já referi, essa situação vive-se hoje em bairros municipais de Lordelo do Ouro, em consequência do processo de demolição do bairro do Aleixo. Tive aqui a oportunidade de defender um plano integrado para a zona, envolvendo policiamento e atividades de caráter social, cultural e desportivo (para além de investimentos em equipamentos e nos espaços circundantes) que permitissem envolver a população na vida dos seus bairros, tornando mais intolerável o fenómeno do tráfico de droga e do consumo que lhe está associado.

Mas somos confrontados com a vergonhosa e inadmissível escassez de meios por parte das forças policiais. O comando da PSP informa que não tem agentes suficientes para assegurar o policiamento da zona (policiamento esse que, pelo menos numa primeira fase, tem de ser permanente para eliminar o fenómeno). Quanto a meios de locomoção, os policias andam apeados ou mal servidos, tendo que passar pelo enxovalho de ser a Câmara Municipal do Porto a oferecer, por esmola, dado que não é da sua competência, dez viaturas novas à PSP da cidade - que, não sei se por razões orçamentais se por cativações ou se por má distribuição e/ou uso das verbas disponíveis, se aproxima da indigência. E fala-se, agora, de a Câmara Municipal do Porto pagar gratificações a polícias (que mais não são do que a contratação oficial de um serviço como, por exemplo, acontece em alguns supermercados que pagam para terem agentes no seu interior) para que estes possam fazer o que é a sua obrigação: patrulhar as ruas.

Perante isto, o ministro Eduardo Cabrita, tão prolífero a atacar autarcas (seja em matéria de pseudodescentralização, seja em matéria de combate a incêndios), guarda um ensurdecedor e vergonhoso silêncio. Situação que deveria exigir um forte e uníssono clamor das forças vivas da cidade. Mas, infelizmente, Rui Moreira, que em matérias como o aeroporto do Porto e o prolongamento do molhe de Leixões falou tão forte, está, nesta matéria, pouco mais que afónico...

* ENGENHEIRO