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Opinião

Isto vai ter mesmo que mudar!

Isto vai ter mesmo que mudar!

Esta semana, não sei se pela passagem por Portugal de Greta Thunberg, se pela COP de Madrid, se por diversas atividades profissionais em que participei, dei comigo a pensar que isto tem mesmo de mudar e, por mais que digamos o contrário, não estamos preparados para isso.

Na Assembleia Municipal do Porto, foi aprovada a abertura de um concurso para a construção e exploração de um parque de estacionamento subterrâneo na Avenida da Boavista, na zona da Fonte da Moura, por um prazo de 20 anos - ou seja, até 2042. A questão que se coloca é a de saber se, com a emergência climática que estamos a viver, com planos que visam alcançar a neutralidade carbónica do país em 2050, devemos, hoje, abrir concursos com um horizonte temporal de 20 anos baseados no pressuposto atual de que temos muitos carros à superfície e que necessitamos de criar lugares de estacionamento subterrâneos? Dir-me-ão que, com o andar da carruagem, as viaturas deixarão de ter motores de combustão (utilizando combustíveis fósseis) e passarão a ter motores elétricos, mas continuará a haver muitas viaturas, pelo que o parque se justifica. Para além de ter dúvidas sobre a manutenção de tantas viaturas individuais (a tendência é para a partilha de automóveis), terei uma enorme frustração se, durante estes 20 anos, o transporte público não alcançar um enorme grau de penetração que dispense, no interior da cidade, o uso de viatura própria...

Assisti, também, à apresentação virtual do novo edifício dos Paços do Concelho de um município. Edifício futurista, bonito, que apresenta um espaço onde será possível aos visitantes visionar, virtualmente, os principais museus do mundo. Fantástico! Mas nas imagens descortina-se, também, um enorme espaço tipo gabinete do munícipe. E a pergunta é: na era da digitalização, por quanto tempo mais se justifica a criação dos gabinetes do munícipe (ou as lojas do cidadão) com caraterísticas idênticas àquelas que hoje conhecemos?

Soube, também, que numa parte dos terrenos do antigo parque de estacionamento de Massarelos (ao Campo Alegre) está a ser construído um posto de combustíveis. Já não discuto a questão da sua localização (em zona densamente urbanizada), dos seus acessos (numa importante saída do Porto, normalmente congestionada), nem da ocupação de um terreno onde ficava bem a futura estação do metro do Polo 3 da Universidade do Porto. A questão é a de saber se, hoje, se justifica abrir postos de combustíveis fósseis numa cidade que, diz a sua Câmara, pretende apostar na mobilidade elétrica...

E o que me preocupa é que tudo isto se faça sem que, pelo menos, se questione e se tente antever o que o futuro nos oferece. Porque isto (tudo!) vai mesmo ter de mudar!

Engenheiro

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