O Jogo ao Vivo

Opinião

Maria João

Quando, algures em abril de 1999, me colocaram a questão de substituir Ilda Figueiredo na Câmara Municipal do Porto, uma das coisas que me disseram era que teria a secretariar-me uma pessoa fantástica - a Maria João -, que, pela sua competência e profissionalismo, me ajudaria bastante.

Foi quando aceitei o desafio que conheci a Maria João. E que pude constatar que, de facto, era mesmo uma funcionária fantástica! Não apenas porque mantinha o gabinete exemplarmente organizado - e, naquela altura, a informática ainda não tinha o papel que hoje desempenha, havendo milhares de documentos para arquivar, a que se somavam as dezenas de requerimentos que, semanalmente, redigíamos para expor aos vereadores responsáveis problemas concretos de munícipes.

Mais tarde, quando assumi o pelouro do Ambiente e da Reforma Administrativa, recordo bem como montou uma equipa top (apenas com prata da casa) que, naqueles quatro anos, foi a minha retaguarda segura, interagindo eficientemente com os diversos serviços que tutelava. Mas a Maria João juntava às competências profissionais qualidades humanas fantásticas. Para além da sua boa-disposição tinha um grande coração que fazia com que muitos munícipes (e também colegas) a reconhecessem como um ponto de apoio. Recordo, especialmente, a D. Maria da Graça, uma senhora com mais de 90 anos, que vivia sozinha num quarto alugado e que, pela nossa ação, teve direito a uma habitação social e que, frequentemente, ia ao gabinete "pôr a conversa em dia" - e que se tornou amiga da Maria João e do marido que a chegavam a convidar para almoçar ao fim de semana, procurando, dessa forma, mitigar a solidão (nunca lamuriada!) da D. Maria da Graça.

Algum tempo depois de eu deixar a vereação, a Maria João decidiu reformar-se, apesar das penalizações na pensão. Queria fazer outras coisas, nomeadamente perder o medo de andar de avião para poder visitar o filho e os netos, a viverem na Finlândia. Infelizmente, poucos anos depois dessa decisão, a doença derrubou-a.

A Maria João não aparecia nos jornais, apesar dos muitos jornalistas que a conheciam e do apoio que ela sempre lhes dava no seu trabalho de cobertura da atividade municipal. Mas, não tenho dúvidas, muito do mérito que a minha ação como vereador possa ter tido, devo-o à Maria João. Que merece ter, pelo menos no JN, mais do que um pequeno espaço da secção de Necrologia...

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