Opinião

O homem do FMI

Nas autárquicas de 1997, admirado por, na noite das eleições, não ver praticamente ninguém da Direção do PSD Porto ao lado do general Carlos Azeredo, candidato da coligação PSD/CDS à presidência da Câmara Municipal do Porto, questionei um desses dirigentes. Que, com clareza desarmante me disse que o PSD não queria que se falasse da vitória de Fernando Gomes, procurando, isso sim, que os holofotes da Comunicação Social se virassem para a (primeira) vitória de Meneses em Gaia. Entendi, aí, a razão pela qual o PSD tinha deixado ser o CDS a escolher o candidato ao Porto (que tanto andou sozinho!), numa eleição que, face à previsível vitória de Gomes, lhes interessava desvalorizar - numa demonstração clara de como, para alguns políticos, o guião passa pela velha máxima que diz "na política o que parece é"...

Tenho pensado nisso quando olho para o candidato escolhido pelo PSD para concorrer à presidência da Câmara do Porto. Confesso, e não me custa reconhecer que a ignorância é minha, que o único Álvaro Almeida que conhecia era um meu camarada de Aldoar, homem de um voluntarismo e de uma generosidade extrema, com um longo currículo de autarca (com quem tanto aprendi!) e de associativismo na freguesia, mas que é conhecido por Fragata. Pelo que procurei saber quem o PSD tinha escolhido, com a consciência de que os candidatos não têm que ser vedetas apenas importando as suas ideias e propostas e as garantias que o seu percurso dá de as cumprirem.

A colocação de inúmeros outdoor na cidade com a cara do candidato são o reconhecimento do défice de notoriedade do mesmo. No entanto, quem vê caras (ainda por cima retocadas pelo fotoshop), não vê corações - pelo que apenas reforçou a minha ideia de não conhecer o candidato. Mas eis que me deparo com uma "entrevista de vida" que Álvaro Almeida deu a uma revista. E, aí, constato que, afinal, temos algumas coisas em comum. Seremos da mesma idade, tendo frequentado, simultaneamente, o Rodrigues de Freitas. Confesso, e espero não estar a cometer nenhum erro (já lá vão 40 anos!), não me lembrar de o ver nas atividades associativas, nem no combate político. Também não é necessário começar desde jovem nas atividades políticas para ser um (bom) candidato à presidência da Câmara! Mas eis que nessa entrevista, Álvaro Almeida se revela. Dizendo que a sua escolha do curso de Economia se deveu ao facto de se ter sentido inspirado pela intervenção do FMI em Portugal (1977). Afirmando que o FMI atua para "auxiliar países em dificuldades, ajudando-os a recompor e melhorar a vida dos cidadãos". Daí ter construído uma carreira profissional no FMI, presumo que a "ajudar" países e cidadãos.

Pela minha parte fiquei a conhecer o candidato! Reconhecendo-lhe a coerência de, não obstante as evidências (e apesar das dúvidas que as "receitas" do FMI provocam nos seus próprios técnicos!), continuar a achar que a essência do FMI é "ajudar" e não impor uma cartilha neoliberal que enriquece poucos à custa da pobreza de muitos.

Felizmente, os tempos não são de FMI nem dos seus homens!...

* ENGENHEIRO

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