Opinião

O Rui Rio que eu conheço

O Rui Rio que eu conheço

Fui, durante cerca de 10 anos (com e sem pelouro atribuído), vereador da Câmara Municipal do Porto com Rui Rio como seu presidente. Participei em centenas de reuniões com ele, o que dá milhares de horas de convivência. Creio, assim, que posso falar sobre Rui Rio com algum conhecimento de causa...

Não contarei, naturalmente, tudo o que sei. Referirei, apenas, algumas características que constatei.

Rio é um fanático da organização e do método: o cartão com que sai de casa com as tarefas a executar no dia raramente regressa a casa com algum item não cortado.

Mas não pensem que Rio é um estudioso de dossiês. Não. Conhece-os pela rama. Mas tem uma enorme capacidade de apreender o essencial dos mesmos e de construir um discurso, normalmente básico e lógico, capaz de convencer (ou iludir!) aqueles que o ouvem. E, embora criticando o populismo, constrói muito do seu discurso à custa desse mesmo populismo - a erradicação de arrumadores, a demolição do Aleixo "para acabar com a droga", o combate aos "subsídio-dependentes" da cultura, a tese do político antipolítico (que bebeu em Cavaco, que é muito mais o seu referencial do que Sá Carneiro).

Rio é um interlocutor de confiança. Com quem se pode negociar sabendo-se que cumprirá o acordado e que os pormenores da negociação não sairão da sala onde decorreram.

Move-se, para além das suas convicções, por ódios de estimação (o que o faz perder racionalidade). Menezes será o caso mais evidente, mas muitos mais existem. Quem entrar para o seu índex (que inclui potenciais adversários internos ou externos) sabe que o terá à perna, muitas vezes com tentativas de assassinato de caráter, sendo que frequentemente atirará as pedras por intermédio dos seus próximos, escondendo a mão.

Se arranca numa direção, dificilmente se afastará da mesma, nem que ganhe a consciência de que está num beco sem saída. Preferirá, nesse caso, criar uma manobra de diversão a reconhecer o erro. O caso do Bolhão, em que o seu modelo de privatização fracassou, é um exemplo, não reconhecendo razão a quem o tinha avisado do mau caminho, preferindo sacar um coelho da cartola (ia avançar as obras a custas da Câmara) que depois (como se sabia) não concretizou.

Adora a sua imagem (ou a imagem que de si procura construir) e sofre dolorosamente com tudo (e com todos) o(s) que a possa(m) pôr em causa. O que o faz disparar, fazendo exatamente aquilo que critica aos outros (mas que, sendo feito por si, é justificável...). Critica a falta de isenção da Comunicação Social, mas foi tudo menos isento na utilização dos meios de comunicação da Câmara. Critica as fugas ao segredo de justiça, mas não se coíbe de promover fugas para a Comunicação Social de processos em segredo de justiça. Põe em causa a honestidade de Elisa Ferreira por ser apoiada por promotores de empreendimentos no Parque da Cidade, mas não vê problemas em fazer, no bairro do Aleixo, parcerias com o sócio de Duarte Lima...

Enfim: estou certo que Rio, como presidente do PSD, não me surpreenderá. Com os aspetos positivos e negativos do que isso significa...

ENGENHEIRO

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