Opinião

Quo vadis, PS?

Não sei se o Orçamento do Estado para 2022 vai ser, ou não, aprovado. Mas aquilo que observo e sinto é que o Governo não parece particularmente empenhado na sua aprovação.

Por um lado, porque parte significativa das propostas que integrou no Orçamento de 2021, e que resultaram das negociações com o PCP, o PEV e o PAN, não foram ainda concretizadas, não obstante já terem passados 10 meses desde a sua entrada em vigor. E isto põe em causa as relações de confiança, o que pode ser fatal num processo negocial (por isso, ouvimos hoje os partidos que se sentam com o Governo a pedir compromissos firmes e mesmo documentos escritos).

Por outro lado, o PS, nas últimas semanas, juntou os seus votos aos da direita parlamentar para chumbar diversas iniciativas dos partidos à sua esquerda. Particularmente do PCP, que viu chumbadas propostas para aumento do salário mínimo, para controlo dos preços da energia, para revogação da lei das rendas de Assunção Cristas, que tantos problemas está a causar a moradores e a comerciantes. A que acresce a tentativa de passar o ónus do eventual chumbo do Orçamento para os partidos à esquerda, como se não competisse ao Governo, que o apresenta, a responsabilidade maior pela sua aprovação...

Porque está, assim, o PS a "esticar a corda" para ver se o seu orçamento não é aprovado? Será que pensa que, vitimizando-se, eventuais eleições antecipadas (que também não são uma inevitabilidade constitucional) lhe serão favoráveis? Creio que estará, irritantemente, com excesso de otimismo (os resultados autárquicos do PS nos grandes centros urbanos - onde se ganham as legislativas - mostram bem o descontentamento com a sua atuação). Com a agravante de, ao mesmo tempo que quebra pontes à esquerda, poder contribuir para reforçar a direita.

Engenheiro

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