Opinião

Sinais

Ficam célebres as cambalhotas que o PSD tem dado na Assembleia da República, onde diz uma coisa e vota o seu contrário.

Aquando da votação do Orçamento para 2020, o PSD clamava pela redução do IVA da eletricidade para 6%, mas, aquando da votação da proposta do PCP, absteve-se, sabendo que, dessa forma, mantinha o IVA a 23%.

Agora, na votação do Orçamento Suplementar, o PSD, que também afirmava defender que as famílias que tiveram perdas de rendimentos deveriam ter uma redução no valor das prestações a pagar pela frequência, pelos seus filhos, de creches, absteve-se na votação da proposta do PCP.

O que fez com que as prestações se mantivessem. Para além desta incoerência do PSD, estes exemplos são também claros da aproximação PS/PSD que se tem vindo a registar. Procurando escamotear estas incoerências, alguns afirmam que "incoerente" foi o PCP, que primeiro se absteve no Orçamento Suplementar e, depois, votou contra. O que é trocar alhos por bugalhos.

De facto, aquando da submissão do documento à Assembleia, a abstenção viabiliza a sua admissão, bem como a descida a uma comissão parlamentar que aprecia alterações ao mesmo. Foi nessa comissão que os diversos partidos apresentaram as suas propostas e que as mesmas foram aprovadas ou rejeitadas.

Feito o balanço dessas alterações, cada partido tem de o votar - sabendo que, aí, o documento passa a ser lei. Dado que muitas das propostas que apresentou foram chumbadas (através da articulação do PS com o PSD) e que o documento tem opções que considera erradas, o PCP votou contra.

Não houve, portanto, nenhuma incoerência. E convém que António Costa não menospreze este sinal. E que veja que este voto contra do PCP não corresponde a nenhum taticismo, mas tão-só à constatação de que, se persistir em determinadas opções, não contará com o seu apoio.

*Engenheiro

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