Opinião

Um drama do Porto

Leio no "Público", com base num estudo da Nova School of Business and Economics, que "25,8% das crianças portuguesas vivem em casas cujo telhado deixa entrar água ou com caixilhos de janelas ou chão apodrecidos". Conheço bem esta situação, dado que, como autarca, entrei em milhares e habitações e testemunhei muitas destas situações de degradação.

A Estratégia Local de Habitação, aprovada pela Câmara do Porto, confirma (embora com dados de anos distintos) esta dramática situação: existem 2457 alojamentos residenciais muito degradados ou a necessitar de grandes reparações, 2968 habitações familiares com duas ou mais divisões em falta (sobrelotação), 2322 alojamentos com carência de acesso a infraestruturas (sem instalações de retrete, água ou banho) - 15 611 se considerarmos, também, as habitações sem sistema de aquecimento.

Os dados do Observatório Municipal de Habitação indicam que o rendimento bruto dos agregados familiares que solicitaram uma habitação municipal é de 645,28€ e o rendimento per capita é de 292,25€! E que, das 5452 pessoas que os integram, 1467 têm menos de 15 anos. Havendo mil famílias em lista de espera para atribuição de habitação municipal, embora sejam 3000 as famílias que necessitam de ser realojadas!

Números analisados e discutidos numa sessão da Assembleia Municipal do Porto convocada pela CDU para discutir o acesso à habitação no Porto. Onde Rui Moreira, confrontado com a situação, com o seu agravamento devido à pandemia (vejam-se os casos de fome de crianças ontem descritos no JN), e com o facto de a Câmara apenas prever construir, nos próximos cinco anos, 200 habitações públicas com rendas apoiadas (ou seja, proporcionais aos rendimentos das famílias), alegou que "o Porto tem habitação municipal a mais"! A realidade demonstra, dramaticamente, que não.

Engenheiro

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