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Sebastião Feyo

A universidade e a transformação digital

1. Neste último fim de semana participei com gosto, mas principalmente com proveito, no 11.º Fórum Expresso XXI - Inovação e Mudança, uma importante iniciativa da responsabilidade do dr. Francisco Pinto Balsemão e do dr. Pedro Norton de Matos, passe a publicidade bem merecida, que mais uma vez se realizou em Vidago e na qual se continuou o debate de anos anteriores sobre como pode e deve Portugal adaptar-se aos tempos, adaptar-se às consequências sociais e económicas da (r)evolução científica e tecnológica que temos vindo a viver desde sensivelmente a última década do século XX. A reflexão deste ano focou-se particularmente na transformação digital da sociedade, hoje em dia um tema central no debate das políticas públicas e no discurso político, tão óbvia é a sua abrangência universal no quotidiano. E em torno do tema, que comporta uma miríade de nuances, falou-se muito da entrada bem sentida da inteligência artificial (IA) na nossa vida.

Sebastião Feyo

Visita de Estado ao Egito - uma lança em África

1. Reza a história que terá sido de um dito de Nuno Álvares Pereira, por volta de 1425, que nasceu a expressão "meter uma lança em África" que tanto empregamos coloquialmente para sugerir que alcançamos algo difícil ou com grande potencial para o futuro. Ora, foi esse o termo que me ocorreu para de forma simples expressar a avaliação que faço da visita de Estado que o Senhor Presidente da República realizou na semana passada, entre os dias 11 e 13, ao Egito, na qual tive o gosto e a honra de participar: foi e será um marco importante para o fortalecimento da relevância política de Portugal na discussão dos grandes problemas contemporâneos; abriu boas perspetivas para a nossa cooperação económica e científica nesta importantíssima área geográfica.

Sebastião Feyo

Janelas de oportunidade da vida democrática

1. A entrada em funções de uma nova liderança no maior partido da Oposição tem gerado expectativa e debate sobre potenciais condições novas de diálogo político passíveis de conduzirem o país para o caminho das necessárias reformas para o seu desenvolvimento. São situações cíclicas de janelas de oportunidade que se abrem e fecham na nossa vida democrática. Os factos que sustentam essa expectativa são tão simplesmente estes: no país desenvolvido que somos no Mundo, com um potencial humano jovem com níveis de formação como nunca tivemos na nossa história secular, o nosso desenvolvimento social e económico está muito aquém daquele que esse património humano nos permite alcançar, dos níveis de bem-estar da União Europeia em que vivemos e que é o nosso habitat natural.

Sebastião Feyo

O Estado de direito e o Pacto para a Justiça

1. No passado dia 12 foi entregue ao Senhor Presidente da República pelas entidades que agrupam, sindical e profissionalmente, os principais atores associados ao sistema judicial - a Associação Sindical dos Juízes Portugueses, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, o Sindicato dos Funcionários Judiciais, a Ordem dos Advogados e a Ordem dos Solicitadores - um acordo, designado publicamente como Pacto para a Justiça, contendo 88 medidas destinadas a contribuir para melhorar o que vulgarmente se designa como "sistema de justiça".

Sebastião Feyo

Intrigas nas Cortes, resistência à mudança

No passado dia 11 de julho abordei nesta mesma coluna o tema, que considero crucial para o desenvolvimento de Portugal, da postura e ação reformista que temos de adotar, de continuada adaptação aos tempos, antítese da rigidez imobilista que herdamos das conceções corporativas do Estado Novo que ainda vão prevalecendo entre nós. Hoje retomo-o, inspirado em duas notícias publicadas no dia 24 de dezembro, há dois dias, véspera de Natal, associadas ao notável discurso do Papa Francisco no Encontro com os Membros da Cúria Romana para apresentação dos votos natalícios, que teve lugar no dia 21 de dezembro, na Sala Clementina do Vaticano. Um discurso, disponível na Internet, cuja leitura recomendo vivamente, no que ele encerra em favor do progresso do Mundo. A primeira dessas notícias foi publicada no JN (página 15) sob o título "Cúria Romana sofre "cancro das intrigas"". Poder-se-ia pensar ser este um título populista. Não é. Corresponde integralmente a uma passagem central do discurso, que inclui muitas outras asserções que deixam claras as dificuldades desta necessária via do reformismo, como seja, ipsis verbis, "Fazer as reformas em Roma é como limpar a Esfinge do Egito com uma escova de dentes". A outra notícia, alargada, vem no P2 do "Público" sob o título "A guerra contra o Papa Francisco", com testemunhos espantosos, como seja a citação, de círculos restritos de oposição, de associarem Sua Santidade a Calígula (Caio César, imperador romano).

Sebastião Feyo

A respeito do Infarmed - o cerne da questão

1. Há quase dois anos, a 1 de dezembro de 2015, escrevi nesta coluna um artigo sobre "cultura de políticas de desenvolvimento", em que comentei uma lei universal simples, pela qual se rege a capacidade de influência das regiões: "é inversamente proporcional à distância à capital". E acrescentei: "A história e os factos mostram-nos que não é com a "cultura de mono região" que se desenvolve um país. Todos percebemos que Portugal nunca teve uma política de descentralização regional séria, como a que observamos, sob várias formas, na generalidade dos países europeus mais a Ocidente, e que a União Europeia bem tenta fomentar. Como exemplo, não promovemos a descentralização de grandes serviços públicos, praticada em vários países, algo que a nível político parece ser visto como "não realizável"... e que merece a pergunta - porquê?".

Sebastião Feyo

A Catalunha e a União Europeia

1. O principal objetivo da criação da Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1957, congregando a França, a Alemanha, a Itália e os países do Benelux, foi, em termos políticos latos, a manutenção da Paz e a criação de condições de desenvolvimento económico e social numa Europa dilacerada pela Segunda Grande Guerra Mundial, tendo como linha oferecer alternativa política sólida ao modelo nacionalista percebido como a causa próxima dessa mesma Guerra. A União Europeia de hoje representa a evolução da CEE, tendo, no seu processo evolutivo natural de adaptação aos tempos, vindo a receber novos países, vários deles provenientes da fragmentação do bloco da União Soviética, mas mantendo a linha política supranacional que recusa e se opõe a nacionalismos monolíticos de natureza antidemocrática. Percebe-se pois que a questão do refazer de fronteiras na Europa, agora revisitada por razão do movimento independentista da Catalunha, é antiga e não representa o cerne da discussão.