Opinião

2017 - certezas para lá das incertezas

2017 - certezas para lá das incertezas

1. Estamos a viver mais um dos ciclos curtos de 40 anos que caracterizam a vida humana. Este, o atual, teve início nos anos 80 do século XX. Falo da revolução 4.0, talvez já 5.0, associada principalmente aos progressos das ciências da vida e da tecnologia de comunicações sentidos a partir do último quartel do século passado, com um crescendo de esperança de vida e as suas implicações na sustentabilidade do modelo social europeu, com as redes digitais que afetam todos, mas só alguns exploram, centrifugando os restantes. É uma revolução com implicações profundas a nível económico, sociológico e político. Noutro plano, falo do aftermath da implosão do sistema soviético, referida à queda do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989, com o crescimento nefasto da preponderância da economia sobre a política, com a instabilidade mundial projetada no drama dos refugiados e com o terrorismo interno por todo o Ocidente. Vivemos incertezas sobre a sustentabilidade do modelo de desenvolvimento promovido pela União Europeia. Esta instabilidade vai manter-se por alguns anos, com os povos ocidentais a rebelarem-se, particularmente face a expectativas frustradas, usando a liberdade de expressão e o voto nas urnas. Com impacto imprevisível.

2. A nível nacional, o senhor primeiro-ministro, na sua alocução de Natal aos portugueses, salientou o "défice do conhecimento" com que ainda vivemos, tendo como referência a Europa mais desenvolvida, e que temos de combater. É bom ouvir esta perceção real e positiva. É certo que temos hoje a geração jovem mais educada de sempre, mas estamos ainda longe da dimensão de formação dos nossos jovens necessária para o nosso desenvolvimento harmonioso no mundo global e competitivo em que vivemos. Mas, a esta certeza juntam-se outras, de lutas de superação de outros défices que temos de travar em paralelo, globalmente a nível público e privado: (i) na cultura de disciplina coletiva e de organização das instituições; (ii) na prática, para lá do discurso, da "moral social na economia", no que incluo a necessidade de evoluirmos na nossa cultura de exigência de responsabilidade social, sentimento necessário para o efetivo combate à corrupção em todas as suas vertentes. Por difícil que seja, precisamos de travar um combate em várias frentes.

*PROF. CATEDRÁTICO, REITOR DA UNIV. DO PORTO

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