Opinião

A universidade e a transformação digital

A universidade e a transformação digital

1. Neste último fim de semana participei com gosto, mas principalmente com proveito, no 11.º Fórum Expresso XXI - Inovação e Mudança, uma importante iniciativa da responsabilidade do dr. Francisco Pinto Balsemão e do dr. Pedro Norton de Matos, passe a publicidade bem merecida, que mais uma vez se realizou em Vidago e na qual se continuou o debate de anos anteriores sobre como pode e deve Portugal adaptar-se aos tempos, adaptar-se às consequências sociais e económicas da (r)evolução científica e tecnológica que temos vindo a viver desde sensivelmente a última década do século XX. A reflexão deste ano focou-se particularmente na transformação digital da sociedade, hoje em dia um tema central no debate das políticas públicas e no discurso político, tão óbvia é a sua abrangência universal no quotidiano. E em torno do tema, que comporta uma miríade de nuances, falou-se muito da entrada bem sentida da inteligência artificial (IA) na nossa vida.

2. Perceba-se que a IA é um instrumento e não um objetivo. No essencial, constitui-se como um conjunto de metodologias que capturam e acumulam a nossa experiência e os dados da vida, interpretando subsequentemente todo esse conhecimento e produzindo informação e formas de ação que objetivamente constituem importante valor acrescentado para a nossa qualidade de vida. Os métodos de IA integram hoje aplicações e instrumentos generalizadamente disponíveis em todos os domínios, desde, como exemplos, os diagnósticos prospetivos de problemas complexos, seja na saúde ou na economia, até ao controlo de robôs na cirurgia ou na produção industrial. Factualmente, com o aumento exponencial da capacidade de computação e da miniaturização, a IA saltou e cobriu o gap entre a teoria do século passado e a prática do século XXI, com sentidas vantagens, mas num crescendo de exigências de alteração de formas de organização e de metodologias de trabalho.

3. As instituições do Ensino Superior têm de ser a referência neste esforço de "adaptação aos tempos", de compreender e enfrentar os desafios da mudança. Têm de adaptar o seu modelo de educação, muito especificamente o seu modelo pedagógico, nesta transformação digital irreversível. As universidades têm de dar as bases de um pensamento que permita aos jovens vir a aprender o que ainda não existe ou só agora começa a ser sentido que existe. Só por este caminho conseguiremos evoluir competitivamente neste Mundo global.

As instituições do Ensino Superior têm de ser a referência no esforço de "adaptação aos tempos". Têm de adaptar o seu modelo de educação, muito especificamente o seu modelo pedagógico, nesta transformação digital irreversível.

* PROF. CATEDRÁTICO, REITOR DA UNIV.DO PORTO

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