Opinião

Universidade do Porto - 107.º aniversário

1 A Universidade do Porto (U.Porto) celebra depois de amanhã o seu centésimo sétimo aniversário, referido ao formalismo legal da promulgação, em 22 de março de 1911, do decreto do Governo Provisório da República que a fundou. Cumpre-me nesta efeméride dar uma nota breve sobre a sua dimensão e relevância para o desenvolvimento nacional, bem como uma outra nota sobre desafios.

Hoje, a U.Porto desenvolve a sua missão de serviço público através de 14 faculdades, contando com mais de 2400 docentes e investigadores e cerca de 1600 quadros técnicos não docentes. O seu orçamento consolidado ronda os 296 milhões de euros. Enquadra a atividade de cerca de 32 000 estudantes, dos quais mais de 3000 são estudantes de doutoramento e cerca de 4400 são estrangeiros, oriundos de mais de 130 países. Diretamente ou através dos seus institutos de interface, enquadra o trabalho de 49 Unidades de Investigação responsáveis pela produção de cerca de 24% da produção científica nacional. É responsável pelo maior Parque Universitário de Ciência e Tecnologia de Portugal, o UPTEC, atualmente com 181 empresas instaladas e 64 empresas já graduadas, geradoras de cerca de 2400 postos de trabalho altamente qualificados, de uma contribuição para o PIB de mais de 180M, com um impacto em impostos de mais de 39M. É uma instituição que pela sua reputação ganhou a confiança pública, em dimensão tal que a faz ser a mais procurada do país.

2. À medida da sua responsabilidade atual e da sua história, a U.Porto enfrenta hoje desafios imensos. O maior e mais relevante é o da adaptação aos tempos: aos grandes desafios da transformação digital da universidade, no sentido de oferecer os seus cursos on-campus e online; aos desafios da cooperação internacional competitiva; à exigência do fortalecimento da sua dimensão social, no que a ligação ao território deve ser percebida como grande prioridade, pensando na empregabilidade regional dos nossos jovens e na ligação ao tecido produtivo. Num quadro conjuntural obviamente difícil para todos, em tempos de retração e de óbvio subfinanciamento público que perduram há sete anos, a U.Porto tem sido capaz de contribuir de forma marcante para o desenvolvimento nacional, e assim continuará, nas pontes que vai manter e fortalecer com as pessoas, com as instituições e com o Mundo.

* PROFESSOR CATEDRÁTICO, REITOR UNIVERSIDADE DO PORTO