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Opinião

Caro regime, que resposta aos problemas?

Caro regime, que resposta aos problemas?

1. Pois é. Depois de anos de uma trajetória de endividamento quase suicida, com todo um país a fazer o papel de espectador anestesiado, depois de anos de troika e de medidas violentas para resolver essa quase bancarrota em que caímos, depois do falhanço da regulação, expresso em milhares de milhões de euros desperdiçados no sistema financeiro, depois de alguma acalmia e melhoria das condições de vida, reaparecem os sinais fortes da instabilidade social e existencial em que realmente temos vivido nos últimos 40 anos e que de novo ameaçam o nosso futuro.


2. Renovo o apelo que fiz nesta mesma coluna, em 20 de fevereiro. Não tenhamos memória curta. É certo que nestes anos de democracia alcançamos alguns progressos importantes e notáveis, desde logo na resolução do drama colonial e no respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos, como também na inequívoca melhoria material, educacional e cultural que o regime promoveu. Mas, hoje percebemos que este progresso é curto. Podemos e devemos alcançar muito mais. Temos falhado no objetivo central da convergência social e económica. Assim o demonstram indicadores básicos desse nosso estado: a dívida externa mantém-se muito elevada; a economia vive com salários excecionalmente baixos para um país europeu; no sector público, e esta é uma questão crucial, o subfinanciamento das várias áreas vitais para o nosso progresso competitivo tornou-se gravosamente um "facto crónico"!


3. É por demais evidente a necessidade de reforma do sistema público, como bem o demonstra a atual conflitualidade, desproporcionada e insustentável para o país, levantada pelos sindicatos do Ensino Secundário, conflitualidade que é claramente a ponta de um grande iceberg, no efeito dominó que encerra.
Nós só daremos um salto qualitativo se conseguirmos desenvolver políticas públicas de modernização, de adaptação global da sociedade aos tempos, em particular de luta contra uma organização corporativa, fragmentada e dominada pela burocracia, tanto na justiça, como na saúde, como na educação básica, como no sistema do Ensino Superior e da investigação, como na defesa e, não despiciendo, como no modelo político. E teremos que o fazer por via de reformas estruturais, com consensos alargados, com a matriz social que promoveu durante décadas o desenvolvimento harmonioso da Europa, e aproveitando a nossa vocação de cooperação universal.

PROF. CATEDRÁTICO, REITOR DA UNIV. DO PORTO

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