Opinião

Conhecimento e território - prioridades nacionais

Conhecimento e território - prioridades nacionais

1. A menos de um mês de eleições autárquicas e a menos de dois meses de apresentação do Orçamento para 2018 agitam-se bandeiras generalizadamente não desinteressadas sobre "prioridades nacionais". Umas, por parte dos grupos políticos, com o intuito primeiro de atrair votos. Outras, por parte de muitos responsáveis da sociedade civil e de áreas da esfera pública, visando pressionar para financiamentos para as suas respetivas áreas. Ora, a capacidade de desenvolvimento de um país está associada à capacidade de dar atenção e de intervir estrategicamente em várias frentes, de assumir várias "prioridades" simultâneas. Sendo os recursos normalmente escassos para as exigências colocadas, jogar esse jogo de gerir expectativas e prioridades, e de as apoiar, é o desafio de quem governa ou gere.

2. Entrando no detalhe, e deixando claro o meu entendimento, expresso na crónica de 8 de agosto passado, de que a prioridade das prioridades reside na reforma do edifício jurídico (infelizmente, também a mais difícil de alcançar), chamo hoje a atenção para duas outras vertentes vitais para o nosso progresso sustentado - a da produção de conhecimento e a do desenvolvimento integrado do território. A primeira, da responsabilidade do sistema do Ensino Superior e da investigação científica, representa hoje o principal fator de independência nacional, no que está associada à educação superior, à capacidade de inovação, em todos os domínios, e à promoção de capacidade de gestão racional. A segunda, o desenvolvimento integrado do território, significa defender o património e promover o desenvolvimento sustentado do país. Implica naturalmente grande interação entre os vários organismos setoriais, e certamente que com as populações, mas, também nesta área, cabe às instituições do conhecimento o papel de polos aglutinadores de vontades e valências na procura das respostas aos problemas sentidos.

3. Pois, aqui entram as políticas nacionais e regionais, as decisões de apoiar planos estratégicos de desenvolvimento, através dos organismos públicos criados com essa missão. A Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro unidas no consórcio UNorte.pt fizeram as suas escolhas, no que incluem projetos conjuntos para a promoção do desenvolvimento integrado do território da Região Norte. As instituições financiadoras terão de fazer as suas escolhas.

PROF. CATEDRÁTICO, REITOR DA UNIV. DO PORTO

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