Opinião

Janelas de oportunidade da vida democrática

Janelas de oportunidade da vida democrática

1. A entrada em funções de uma nova liderança no maior partido da Oposição tem gerado expectativa e debate sobre potenciais condições novas de diálogo político passíveis de conduzirem o país para o caminho das necessárias reformas para o seu desenvolvimento. São situações cíclicas de janelas de oportunidade que se abrem e fecham na nossa vida democrática. Os factos que sustentam essa expectativa são tão simplesmente estes: no país desenvolvido que somos no Mundo, com um potencial humano jovem com níveis de formação como nunca tivemos na nossa história secular, o nosso desenvolvimento social e económico está muito aquém daquele que esse património humano nos permite alcançar, dos níveis de bem-estar da União Europeia em que vivemos e que é o nosso habitat natural.

2. Não tenhamos memória curta. Nos quarenta e quase quatro anos que levamos de democracia, tivemos progressos notáveis, desde logo na resolução do drama colonial e no respeito pelos direitos fundamentais dos cidadãos, mas temos falhado na convergência social e económica. Assim o demonstram indicadores básicos desse nosso estado: a dívida externa responsável por termos chamado o FMI mantém-se muito elevada; as taxas de desemprego, que atingiram os cerca de 17% em 2013, baixaram nos últimos anos para cerca de 9%, o que se saúda, mas muito por razão de atividade precária, assente em salários excecionalmente baixos para um país europeu; no setor público, o subfinanciamento das várias áreas vitais para o progresso do país tornou-se um "facto crónico"!

3. Nós, portugueses, só daremos um salto qualitativo para a convergência europeia se conseguirmos desenvolver políticas públicas de modernização, de adaptação global da sociedade aos tempos, tanto na justiça, como na saúde, como na educação básica, como no sistema do ensino superior e da investigação, como na defesa e, não despiciendo, como no modelo político. E teremos de o fazer por via de reformas estruturais com a matriz social que promoveu durante décadas o desenvolvimento harmonioso da Europa, e aproveitando a nossa vocação de cooperação universal. Certamente que essas reformas devem ter uma base tão alargada quanto possível, mas passam necessariamente por entendimento entre o PSD e o PS. Não Bloco Central, está visto. Sim, entendimento alargado sobre as Leis de Bases em todas essas áreas. São janelas de oportunidades que só a nós cumpre aproveitar.

Nós, portugueses, só daremos um salto qualitativo para a convergência europeia se conseguirmos desenvolver políticas públicas de modernização...

PROF. CATEDRÁTICO, REITOR DA UNIV. DO PORTO

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