Opinião

Projetar as autárquicas no futuro

Projetar as autárquicas no futuro

1 Decorridas as eleições autárquicas, num ambiente global que acabou por ser francamente positivo, e diria que com resultados expectáveis face aos desempenhos de partidos e de atores, o que só abona em favor da maturidade do povo, escolho comentar dois temas que representam o que eu gostaria de ver como projeção destes resultados no futuro e como lição do que devemos prevenir para o futuro: (i) o que podemos esperar de ação política regional e local na sequência deste importante exercício democrático, em cooperação regional para a criação de massa crítica forte e competitiva, capaz de produzir conhecimento e de atrair investimento para as regiões, capaz de promover a integridade do território?; (ii) como podemos prevenir o abuso e manipulação da informação, uma chaga social e política deste século?

2. Espero do poder local uma capacidade de concertação regional para as decisões de apoios a planos estratégicos de desenvolvimento, através dos organismos públicos criados com essa missão, o que significa uma articulação com instituições públicas e privadas, e em particular com as instituições do Ensino Superior e investigação científica, sob o risco, falhada essa articulação, de os fundos de desenvolvimento ficarem algures ao centro, a financiarem objetivos que não os das regiões. Numa visão restrita, menciono a extraordinária relevância do desenvolvimento da chamada Frente Atlântica. E quando acentuo o plural de regiões, estou a pensar no contínuo que as regiões representam, logo na necessidade de articular interesses de regiões limítrofes, dificuldade acrescida pela interação que se torna necessária entre mais do que uma Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional. Leia-se no caso concreto do Norte, articulação entre a Região Norte e a Região Centro.

3. E falo do problema gravíssimo da manipulação da informação. Tivemos recentemente testemunhos de inimaginável manipulação nas eleições norte-americanas, certamente que não caso único no Mundo. Connosco, as coisas voltaram a não correr bem. O que se passa entre nós com sondagens que impunemente se revelam completamente irreais? Não é de hoje. Poderia citar problemas nas autárquicas de 2009 e de 2013. Temos de criar uma consciência crítica que lute contra este abuso antidemocrático, a bem da democracia, o que significa dizer, a bem do nosso futuro coletivo.

* Professor catedrático, reitor da Universidade do Porto

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG