Opinião

A propósito (?) de um programa televisivo

A propósito (?) de um programa televisivo

Num dos canais de TV dá à tarde um programa de entretenimento de que faz parte o complicado problema de descobrir uma palavra que rende uns milhares de euros (ao feliz contemplado) e muitos mais milhares de euros ao canal, graças às chamadas de valor acrescentado.

Por exemplo, descobrir que palavra está «escondida» nas letras indicadas, como Fever.iro, sendo certo que a apresentadora «ajuda» os mais estúpidos com pistas do género «Trata-se do mês que fica entre Janeiro e Março». Coisa assim a puxar pela inteligência do telespectador, estão a ver?

Numa das últimas vezes, a palavra «oculta» era Ant.ónio e a apresentadora, que poderia, para «ajudar», ter-se lembrado do António da Cleópatra ou do António da «Casa dos segredos», trouxe à baila o António de Oliveira Salazar. E depois, sem subtileza alguma, fez o elogio do regime anterior. É óbvio que a senhora tem o direito de gostar de quem gosta e a coisa ainda se aceitaria se se tratasse de um programa de opinião. Mas, num programa de entretenimento, melhor seria se ela não fizesse questão de impingir aos outros as suas profundas (?) convicções.

As quais se baseavam no lugar-comum de que «dantes» havia mais segurança, menos criminalidade - e por aí fora. Se calhar é o argumento que ainda hoje usam os ditadores declarados ou encapotados que estão a ser postos em xeque pelos povos do Magreb e do Médio Oriente. Só faço votos por que tenham o mesmo fim que teve o regime do Ant.ónio de que a apresentadora da TV parece tanto gostar. Receio apenas é que tudo o que por aquelas bandas está a acontecer redunde numa confusão tamanha que venha dar razão aos que ainda suspiram pelos muitos Ant.ónios que continuam a existir por esse Mundo fora, em países onde a palavra «liberdade» é afogada pela palavra «segurança».

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