Opinião

A barreira nocturna dos Aliados

A barreira nocturna dos Aliados

No passado fim-de-semana participei numa visita à Baixa e ao Centro Histórico do Porto entre as 11 da noite e as três da madrugada (publiquei breve registo em www.porto.taf.net). As pessoas ligadas à Faculdade de Letras que simpaticamente a organizaram, e que têm estudado com pormenor o que se passa na cidade, confirmaram os receios que sinto já há longo tempo: a Avenida dos Aliados divide vincadamente a "noite" do lado Oriental e a "noite" do lado Ocidental, prejudicando a vivência que seria possível sem esta barreira. Mesmo durante o dia, as recentes alterações impostas por Siza e Souto Moura induziram um aumento do tráfego automóvel, o que só por si desqualifica a zona.

Uma solução, contudo, já foi proposta publicamente pelo arq.º Pulido Valente: concentrar os dois sentidos de trânsito na faixa de rodagem a poente e deixar a via a nascente, numa configuração semelhante à da Rua do Bonjardim em frente ao Rivoli, reservada para peões e transportes públicos. Criar-se-á assim um espaço contínuo desde a Praça D. João I, tornando viável o uso da placa central dos Aliados para esplanadas e promovendo a sua ocupação no dia-a-dia, que não apenas no S. João, nas vitórias do F. C. Porto ou nas vindas do Papa.

Não se compreende também o total desleixo nocturno nos locais mais frequentados. Praça Filipa de Lencastre, Rua Galeria de Paris, Travessa de Cedofeita e locais adjacentes são depósitos de copos de plástico ou urinóis ao ar livre. O estacionamento é caótico. A Câmara e as juntas de freguesia que se entendam para actuar em coordenação: trata-se até de poupar dinheiro, pois a vigilância 24h por dia evita custos bem mais altos de limpeza e reparação posterior dos estragos. Todos ficarão beneficiados. Assim como agora está, isto não é usar o espaço público na movida, é confiscá-lo.

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