Opinião

Depois do fim do mundo

Alguns senadores da nação, em pânico, receiam catástrofes de proporções bíblicas durante a espera por eleições. (Dar a voz ao povo agora, que despropósito!). Sendo eu própria uma senadora mais qualificada do que eles, vou ter de explicar-lhes algumas noções básicas, ocupando este espaço que habitualmente cedo ao cronista acima identificado.

1. Os humanos (pelo menos alguns portugueses) imaginam que conseguem enganar os mercados vendendo o seu peixe podre. Até eu, que não frequento mercados (a mim trazem-me as refeições já prontas), farejo peixe podre à légua. 2. Será razoável esperar dramas financeiros realmente graves neste curto período, como se não existisse capacidade de negociar a nível europeu uma solução transitória para manter o fornecimento dos meus biscoitos, sabendo-se que quem aí vem tem outro nível de respeitabilidade? 3. Estou disposta a suportar uma ração de qualidade inferior durante algum tempo, mas só se tiver a garantia de que a poupança não continua a ser distribuída aos ratos que vivem à custa do Estado.

Caro Pedro, aqui vão alguns conselhos de gata para coelho. Não compliques, aposta em medidas simples, que se percebam. Trata de pouca coisa ao mesmo tempo, concentra-te no essencial. Não te fies nos que te dão receitas mas nunca tentaram eles próprios cozinhá-las quando tiveram oportunidade para isso. Escolhe colaboradores decentes, porque foi a bicharada interesseira e quezilenta que nos trouxe a este ponto. Não tenhas receio de delegar e depois avaliar. Mantém-te atento ao que se vai escrevendo sobre o teu trabalho, especialmente se é vindo de quem não tem como profissão palrar sobre acção alheia. Tens de criar condições para que os privados produzam riqueza, com liberdade e ética. Eles, não a Administração Pública, é que sabem como isso se faz.