Opinião

Já não há gente normal

Já não há gente normal

Um país está doente quando tantos comportamentos irracionais ou insensatos atingem o estatuto de alguma respeitabilidade, como se não fossem apenas merecedores da gargalhada geral.

O fim dos chumbos nas escolas porque o apoio extra resolveria as dificuldades (o que acontece nos casos em que não resolve?); a barragem do Tua que poderia afogar o caminho-de-ferro mesmo sendo ele património classificado; as crianças que são proibidas de usar escova de dentes nos infantários supostamente para evitar a propagação de doenças (será que elas são deixadas ao abandono nos balneários?); a banda gástrica que é recomendada por médicos para "tratar" a obesidade (como se o problema fosse no estômago e não do foro mental!); o PGR que manda mas não manda e continua no lugar.

Este ambiente de doidos quase branqueia outros disparates. Vende-se património estatal porque, ante o descontrolo da despesa, "não há outro remédio agora"; em breve estaremos na mesma situação mas já sem nada para vender. Recomenda-se baixa de salários como remédio para a fraca produtividade; por este andar recorre-se a trabalho escravo para salvar a economia.

Insisto nisto desde 2003: a primeira de todas as prioridades é a Justiça - tribunais a funcionar, leis e regulamentos simples. Não é a Economia nem a Educação. Deixamos de mudar o que é realmente grave (estrutural) para correr atrás do que é apenas agudo. Sem a Justiça o resto não é suficiente, mas com ela a sociedade civil já tem as ferramentas para obrigar o Estado a curar-se.

Passos Coelho, que não é dono do PSD nem representado pelos seus colaboradores, constrói a alternativa a Sócrates e, entretando, tenta impedir as asneiras mais dramáticas do Governo. O presidente da República é que já devia ter dissolvido este Parlamento que gerou um Governo moribundo.

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