Opinião

O PSD e o país real

Uma das razões que levaram a uma fase infeliz do PSD foi a incapacidade da sua liderança compreender que o país é feito de gente "normal", com as qualidades e defeitos "normais". Ao contrário do que aconteceu historicamente nas autarquias, a nível nacional criou-se um fosso entre as elites e o povo. Uma pequena minoria, com algumas qualidades (intelectuais, culturais, académicas) de facto acima da média, julga ter legitimidade acrescida pelo facto de ser elite. Essa minoria tenta liderar sem possuir experiência prática da vida do cidadão comum, sem partilhar com ele essas qualidades, e sem recolher dele o "feedback" que é também conhecimento valioso; ela não tem paciência para dedicar às questões mais terra a terra que a nível local alguns cidadãos interventivos acabam por tratar à sua maneira, com esforço e dedicação, e muitas vezes bem.

Acredito que Passos Coelho tenha percebido isso e que tente agora, sem falsas modéstias mas com consciência de que sozinho ninguém desenvolve o país, congregar esforços num projecto comum. Portugal não é só elite, excelência, qualidade. Portugal é isso e tudo o resto. O cidadão normal é capaz do melhor e do pior: num ambiente saudável, construtivo, colaborativo, ele habitualmente contribui de forma positiva; ao contrário, quando imerso na agressividade, na desonestidade, na inveja, ele ajuda a piorar a situação. Um bom líder tem por isso de saber criar o ambiente propício a que cada pessoa possa dar o melhor de si, trabalhando com as pessoas reais, com os portugueses que somos.

O próprio líder, contudo, não é isento de limitações e imperfeições. Daí que uma postura de sistemática abertura à participação da sociedade civil seja fundamental para garantir transparência, qualidade e fiabilidade. Nesse aspecto, Passos Coelho está no rumo certo.

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