Opinião

Descentralização e regionalização

Descentralização e regionalização

Vai acontecer no próximo dia 3, às 18.30 horas, no Teatro Rivoli, um raro encontro entre Rui Moreira e Fernando Medina para debaterem a questão da descentralização e da regionalização.

É significativo que os presidentes das duas principais autarquias do país se encontrem para uma conversa que se espera desassombrada acerca de uma urgência que Portugal adia.

No seu território tão pequeno, o nosso país consegue assimetrias violentas, esquecido de regiões inteiras que são deixadas a um abandono confrangedor. Quem vive "longe" já entendeu claramente que o Estado não vai nunca ter a capacidade de intervir decisivamente no favorecimento das suas populações. Somos litorais, ansiamos pelo mar como se ainda fôssemos animados pela esperança de partir.

Lisboa talvez não se consiga imaginar numa configuração regionalizada, a sua existência confunde-se com o Estado, o seu lugar é o Estado em bruto. Já o Porto deverá ter uma perceção completamente diferente. A cidade atrai investimento do Estado a pulso. E tudo quanto se concretiza é feito debaixo da crítica prepotente que quer manter o Norte na paisagem. Neste sentido, é fulcral que seja exatamente Rui Moreira quem representa a cidade. A sua bravura é sobretudo brio, elegante orgulho, no Porto, e o seu executivo tem trabalhado a autoestima essencial para que a região se potencie e evidencie.

São inúmeras as situações em que Moreira tem usado um peito de ferro para cuidar do Porto, e é da mais elementar justiça reconhecer-lhe o quanto isso importa. E quanto mais aproveitar ao Porto mais aproveitará ao país. O que vai pelo interior é uma desolação profunda de terras cada vez mais incapazes. Convencionar que o país tem de se alocar nas imediações da capital é um desastre, um crime contra povos de nuances próprias, costumes antigos que se veem esmagados pela contingência de se deslocarem, esvaziarem.

Os interesses de cada lugar solicitam um poder próximo. A distância entre quem manda e quem cumpre não pode ser grande o suficiente que se torne míope, desinteressada. Quem manda deve, tanto quanto possível, estar incluído na equação da sua própria ordem. Mandar para dentro das casas dos vizinhos não é solução. Não é legítimo. Criar um poder mais implicado é fundamental. Dia 3, é não esquecer. Há que alavancar esta questão, antes que não existam senão pedras impávidas na grande extensão de Portugal.

*ESCRITOR

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