Opinião

#a_força_demente

A ideia de controlar o movimento dos objetos sem lhes tocar é explorada há séculos por mágicos, espíritas e gurus, e há décadas por mim.

Por estes dias, velhinho, faço pontaria aos cestos sempre que preciso de deitar qualquer coisa ao lixo, e já em miúdo franzia os olhos cada vez com mais força e esperava que a força da mente fizesse a bola entrar na baliza e desse mais uma alegria aos adeptos do Leça F. C., mas cedo percebi que o andebol e a telecinesia não andam de mãos dadas. E se antigamente até podiam, agora isso já nem sequer é uma hipótese.

Não são do mesmo agregado familiar, não podem ir juntos à praia ou a um restaurante e isso é profundamente triste, um sinal dos tempos. Vem isto a propósito das máscaras, que têm uma clara tendência para descair no rosto e logo nos momentos menos convenientes, como quando alguém bem transpirado deste calor prometido se senta ao nosso lado no metro.

Mas, e porque os nossos governantes nos dizem que o tempo é de otimismo relativo, nem tudo é mau neste mascarado mundo novo. Além de servirem para fazer brilhar alguns olhos que por aí andam, as máscaras dão jeito a muito boa gente para esconder dentes podres e tapar o mau hálito.

*Jornalista

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