A altura das palmeiras

A marcha dos exércitos da propaganda no futebol

A marcha dos exércitos da propaganda no futebol

A comunicação pode ser uma arma de destruição rápida de personalidades, organizações, setores de atividades e respetivos objetivos.

No caso do futebol, qualquer leigo se aperceberá que, nesta área, a estratégia dos principais clubes portugueses pouco contribui para a promoção dos valores do futebol enquanto negócio e menos ainda para outros valores mais importantes em termos sociais, que são preocupação constante dos clubes - justiça lhes seja feita -, mas ficam permanentemente asfixiados pelas guerras tribais que teimam em marcar a atualidade desportiva. Claro está, a Comunicação Social é um parceiro ativo e, não raras vezes, instigador desta produção necrófila. A responsabilidade máxima, no entanto, estará na origem da mensagem.

Apostados em capitalizar na exposição das marcas, as sociedades desportivas aumentaram brutalmente o investimento em comunicação ao longo da última década. Passaram de um quase amadorismo a centros de produção de informação. Têm canais de televisão próprios com capacidade para contratar grandes figuras às estações tradicionais e, suspeito, ainda aplicam quantias relevantes em desinformação, patrocinando a ascensão de comentadores e manobradores de massas que se movimentam nas diversas plataformas de comunicação.

Apesar de esta ser uma realidade à vista de todos há muitos anos, continuo sem conseguir entender a política da terra queimada, mais ou menos evidente consoante os objetivos desportivos estão em risco ou em vias de serem atingidos. É contraproducente. Se tão avultado investimento não serve para elevar o nível dos clubes e do futebol em si, por que razão continuar a gastar tanto dinheiro, retirando visibilidade à componente social do desporto e aos seus heróis, subalternizando-os e amplificando guerras que deviam ser travadas na génese, nos órgãos competentes, como a Direção da Liga, por exemplo, onde os mesmos rostos discutem, com urbanidade, os problemas? Por que razão é a lama atirada para o caminho dos consumidores, neste caso, os adeptos?

A resposta é tudo menos simples. Mas é inegável que não pode ser dissociada do medo. É o temor pela derrota - que devia ser encarada com normalidade no desporto, onde quase sempre só existe um vencedor - e respetivas consequências aos olhos dos adeptos que comanda a vida dos exércitos da propaganda, cujo objetivo primeiro reside em manipular as massas no sentido de ajudar o patrão a capitalizar no êxito ou a livrá-lo da responsabilidade pelo insucesso.

*Chefe de Redação

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