Opinião

A renovação da Igreja

A renovação da Igreja

A sobrevivência de uma instituição que cruza a História há dois mil anos, profundamente enraizada na sociedade, será sempre motivo de estudo. Houve um princípio, há um meio, mas o fim de Igreja Católica não passará pela cabeça de ninguém.

Quer isto dizer que está tudo bem? Não, o Vaticano, como se percebe pela sondagem hoje divulgada pelo Jornal de Notícias, tem, entre muitos, um problema sem solução à vista: o de estar a perder protagonismo junto das gerações mais jovens.

Se observarmos com a atenção a consulta aos portugueses, percebemos bem por que razão os jovens se estão a afastar da Igreja. Estarão mesmo em rota de colisão em temas que, fraturantes, é certo, são bandeiras erguidas como símbolos de progresso na sociedade atual. As questões não são apenas colocadas aos mais novos, mas os inquiridos defendem que os padres devem poder casar, os divorciados comungar, as freiras celebrar missa e os casais homossexuais contrair matrimónio sob o véu da Igreja Católica. Tudo concessões impossíveis aos olhos do conclave e do próprio Papa Francisco. Apesar de ser uma personalidade consensual, a merecer a aprovação de 85% dos portugueses, nem ele conseguirá transformar sinais de abertura e de reconhecimento de problemas gravíssimos no interior da Igreja - como a pedofilia e os abusos sexuais - na destruição de dogmas seculares.

Sabemos todos que a Igreja sobreviverá, como sempre aconteceu. Mas o Mundo mudou mais nos últimos 30 anos do que nos dois mil anteriores, tudo evolui em aceleração constante, pelo que o desinteresse dos mais jovens não é negligenciável, na perspetiva da Igreja. Reconquistá-los só será possível com concessões, aparentemente, impossíveis nesta altura. Muda a Igreja, ou mudam-se os jovens? O futuro a Deus pertence.

*Editor-executivo

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