Opinião

Costa apeado e Nuno Melo à boleia

Costa apeado e Nuno Melo à boleia

Na semana passada, Pedro Nuno Santos anunciou o fim do sossego de António Costa. A conjuntura já não era favorável. Será sempre complicado governar num contexto de guerra em plena Europa e com o Mundo em recuperação lenta da estrondosa queda da economia devido à covid-19, menos ainda, portanto, quando do interior do Executivo socialista, suportado por uma maioria absoluta com meia dúzia de meses, surgem sinais de desnorte comunicacional em matérias tão sensíveis como a construção de um novo aeroporto para a capital do país. Ainda o Governo estava a recuperar da turbulência provocada pelo ministro das Infraestruturas e nova nuvem surgia no horizonte de António Costa, esta anunciada, com a entronização de Luís Montenegro no PSD.

Pelo que se viu em três dias de Congresso, o dirigente social-democrata não perde tempo a apontar baterias à governação, iniciou a caminhada de dedo em riste e ontem mesmo fez questão de estar na rua para lembrar uma das maiores tragédias da História de Portugal - os fogos de Pedrógão. Falta muito para sabermos se esta mudança de protagonistas e de estilo no PSD conduzirá os sociais-democratas a melhores resultados eleitorais, mas é certo que contribuirá para colocar na agenda temas mais incómodos para António Costa.

Por outro lado, Montenegro também não espera um caminho fácil. O primeiro grande teste está agendado para maio de 2024, quando se realizarem as europeias. Este será o único ato eleitoral do seu mandato, que na altura estará já muito perto do fim, e falhar não é opção. A esta distância, a estratégia ainda não é conhecida, mas ao destacar Nuno Melo - líder do CDS, que estava presente - no arranque do discurso final do Congresso terá deixado uma pista importante. O partido não deixou Rui Rio dar boleia aos centristas nas legislativas, mas talvez mude de ideias. Que Montenegro abriu uma porta a Nuno Melo é indesmentível.

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Diretor-adjunto

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