Opinião

Esperança no calendário

Esperança no calendário

Quando o Papa Gregório XIII instituiu o calendário que usamos todos os dias injetou no pensamento do Homem a utopia de renovar a esperança.

"Ano Novo, vida nova", é preciso, provavelmente como nunca antes tinha acontecido. A pandemia trocou-nos as voltas a todos, até aos astrólogos e às cartomantes, só que desta vez é seguro que o melhor está para vir, nem pode ser de outra maneira, tamanha foi a escuridão em que a sociedade mergulhou.

De olhar focado no futuro de 2021 que é presente a partir de hoje, podemos sempre estribar-nos no ano que deixamos morrer para melhor percebermos que devemos pensar duas vezes (ou mais) antes de colocarmos carimbos negros numa série de setores e figuras do teatro público que, quase num abrir e fechar de olhos, agora guindamos a heróis.

Quantos acendem agora velinhas ao Serviço Nacional de Saúde e respetivos profissionais, transformando-os em Messias no meio da pandemia, não se terão fartado, anos a fio, de os desvalorizar? E os detratores da União Europeia: mudaram de opinião, ou pensam da mesma forma quando assistem a um pequeno país como Portugal a vacinar contra a covid-19 em simultâneo com grandes potências? Será que quem se habitou a criticar Angela Merkel continua a ter vontade de o fazer, depois de perceber a importância da alemã na aprovação de um plano de recuperação comum?

Num ano que pouco teve de positivo, estas são pistas seguras de um futuro menos nebuloso. A certeza de que profissionais de saúde, líderes mundiais e Europa souberam unir-se perante o caos prova que há esperança para além do jogo político que sempre nos tenta movimentar ao ritmo de interesses pouco claros.

Sobram, naturalmente, heróis anónimos, tão bem plasmados ao longo destes meses nas páginas dos jornais. Mas esses já por cá andavam, só não tínhamos reparado.

*Chefe de Redação

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