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Opinião

#futebol a arder

A imagem de um menino em pânico enquanto um familiar se envolvia em insultos e agressões nas bancadas de Alvalade dificilmente deixa alguém indiferente.

Infinitamente mais importante do que a derrota do Sporting com o Rio Ave na Taça da Liga é a descida do futebol ao Inferno, na passada quinta-feira, quando a modalidade foi deixada a bolçar, mais uma vez, no próprio vómito. O espetáculo degradante produzido por aqueles adeptos repete-se quase todas as semanas, com algumas variações, alinhadas em agressões a árbitros, apedrejamentos, batalhas entre pais de jovens atletas ou guerras na Comunicação Social. Como nada nasce do nada, há na génese de tudo isto uma relação causa-efeito, por estes dias potenciada pela força das redes sociais, onde é possível agredir da forma mais vil e esconder a mão. É também o reflexo da postura de comentadores cuja isenção é tão imparcial como a de Bolsonaro na defesa do clima. São incendiários, manipuladores ao serviço de clubes, umas vezes com as causas à vista, outras escondidas. E o pior é que, na hora da derrota, a tendência para a desculpa em detrimento da culpa própria começa a fazer escola, induzindo os adeptos em fogueiras de ira que, um dia, hão de incinerar o próprio futebol.

* Jornalista

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