Opinião

Futebol, outra vez

Suspeito que o país vai depressa arrumar na gaveta do esquecimento a greve dos camionistas, as inaugurações eleitoralistas e os questionários divisionistas à Função Pública.

Até um verão de faz-de-conta passará para segundo plano. Pausa nos lamentos pela falta de sol, o Campeonato começa hoje. Não é que fique tudo resolvido, longe disso, mas o futebol permite estas interrupções suaves na urgência dos temas importantes, até por ser a coisa menos séria entre todas as coisas sérias. Entendo, porém, que os adeptos merecem todo o crédito e respeito, uma vez que sem eles a sobrevivência dos clubes seria impossível. Mas esta Liga, versão 2019/20, começa com vícios antigos que denunciam algum desprezo pelos que, no limite, sustentam salários e transferências rechonchudas. Nesta jornada, sem que nada, aparentemente, o justifique, lá regressam os jogos à sexta-feira e à segunda-feira à noite e, pior ainda, as partidas com arranque agendado para as 21.30 horas. Mas nem tudo é mau. Com o fecho do mercado em Inglaterra, cresce um bocadinho a esperança de continuarmos a ver Bruno Fernandes nos relvados portugueses. Ficam satisfeitos os sportinguistas e todos os que se focam mais nas fintas, nos passes teleguiados, nos remates ao ângulo do que no desempenho dos árbitros que, como os jogadores, também não acertam sempre. Naturalmente, não devemos esquecer, neste arranque de aventura, que há casos a envolver atores da arbitragem e dirigentes de clubes tão congelados nos tribunais que às vezes até dá a sensação de que nunca aconteceram. E, embora exterior à esfera desportiva, também seria bom que a Justiça desse sinais de que os processos não ficam no banco dos suplentes à espera de acabar a carreira por prescrição. Há nódoas no círculo do futebol. Se não são limpas de dentro para fora, terão de ser os tribunais a fazê-lo, de fora para dentro. Pode rolar a bola. E a cabeça dos criminosos, se os houver, também.

* EDITOR-EXECUTIVO

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