Opinião

#intolerância

Há uns bons 30 anos, um rapazote levou meia dúzia de pontapés de um adulto musculado de cerveja, só por estar com a camisola de um clube rival vestida. Estávamos na década de 1980, no advento da cultura do ódio que, mais tarde, haveria de se instalar, para ficar, no futebol português. A meio da semana, rebobinei aquele momento ao assistir a um vídeo onde podemos ver adeptos do F. C. Porto a serem agredidos por vândalos, portugueses e simpatizantes de outro clube qualquer, na Croácia. A estupidez e a intolerância atingiram há muito o ponto de ebulição no nosso desporto. E se estes atos bárbaros sempre aconteceram, são, agora, cada vez mais comuns, com episódios de gravidade extrema que já resultaram na morte de adeptos. Acho que nesta matéria ninguém está inocente, muito menos a Comunicação Social, sobretudo através de um ou outro programa de televisão que tem como fórmula de sucesso o que de mais nojento existe no clubismo primário. De qualquer forma, desconfio que a intolerância só tenderá a desaparecer quando o exemplo vier de cima, das cúpulas dos clubes, que continuam a espalhar ódio através de blogues e contas de Twitter e Facebook supostamente independentes, mas pagas a bom preço. Curiosamente, com o dinheiro dos bilhetes e das quotas dos próprios adeptos, que depois... levam na cara.

*JORNALISTA