Opinião

#canibalismoanimal

Numa sexta-feira de intensa atividade parlamentar, os deputados aprovaram, finalmente, a permanência de cães, gatos e porquinhos-da-índia nos restaurantes. A partir de maio, deixa de ser necessário ir ao jardim zoológico para encher a barriga no meio dos animais. Dos animais vivos, bem entendido, porque os mortos sempre puderam entrar e até vão, escalados e às postas, diretos à mesa, fundidos em tentadoras iguarias. Poucos se tinham lembrado disto, mas realidade é que a bicharada sempre teve acesso aos estabelecimentos comerciais. A nova lei, ontem carimbada no Parlamento, menciona apenas "animais de companhia", mas tem uma aplicação mais abrangente, como vou tentar explicar. Ao permitir a entrada de cães, o restaurante em causa abre a porta a pulgas, carraças e outros parasitas, o que só pode encher de orgulho os defensores da fauna. Parece que já estou a ouvir um ativista desse exército pró-bichos, à mesa, a dizer qualquer coisa do tipo "Que restaurante encantador, acaba de me aparecer uma pulga no prato!". Mas, como quase todas as leis, também esta tem as suas imperfeições. Acho mal, por exemplo, um tipo poder levar um crocodilo a jantar fora e dar-lhe a comer um "alligator burger" (famosa iguaria australiana), colocando o réptil perante um evidente caso de canibalismo animal. Ainda que não seja proibido por lei, parece-me altamente reprovável.

JORNALISTA

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