Opinião

#epidemia

A amnésia deixou de ser uma muleta para guionistas. Pelo menos, em exclusividade. Ainda me recordo bem do tempo em que apenas nas telenovelas e nos filmes apareciam protagonistas que, de um momento para o outro, perdiam a memória para a trama ganhar emoção.

Tudo admissível, sobretudo se pensarmos que as crises de criatividade acontecem a todos e, por outro lado, tratando-se de ficção, nada podemos apontar, a não ser, talvez, a falta de gosto. O problema é bem mais sério quando a amnésia se torna comum na vida real. Não sei como os especialistas no estudo do cérebro ainda não se dedicaram a perceber o que acontece a gestores públicos, diretores de bancos, grandes devedores e outros aspirantes a donos-disto-tudo quando se sentam perante os deputados nas comissões de inquérito. Depois do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, percebemos que a memória também traiu o ex-governador, Vítor Constâncio, no caso da aprovação de um crédito a Joe Berardo, outro esquecido. Ricardo Salgado e Zeinal Bava enfrentaram crises parecidas noutras audiências. Com tantos casos, só pode mesmo tratar-se de uma epidemia, que deve ser atacada na origem, portanto.

* JORNALISTA