Opinião

#horaH

A hora muda duas vezes por ano, o que suscita quase sempre uma imensa discussão em março e em outubro, desta vez antecipada porque a Comissão Europeia chamou os cidadãos a pronunciarem-se sobre tão sensível tema. Especialistas entraram em cena, e bem, para desenvolver teorias espetaculares sobre o relógio biológico e outras trapalhadas, mas para mim a questão é simples, pois quem tinha razão eram os antigos, que se guiavam por relógios de sol, até que um dia alguém inventou, na Ásia, segundo alguns historiadores, o relógio mecânico, entretanto transformado num adereço que faz o mesmo efeito de um brinco, só que se coloca no pulso e não na orelha. Se peneirarmos as migalhas à discussão, as conclusões não variam muito. É do senso comum que a generalidade das pessoas funciona melhor ao ritmo da luz solar. As exceções - e nestas se insere o ex-presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que além de se ter destacado a comer bolo-rei, também tem um lugar na história por nos ter proporcionado aqueles irrepetíveis pores do sol às 22.30 horas (ah, se houvesse Instagram naquela altura...) - terão de adaptar-se. Por isso, estranho que a Comissão Europeia se tenha lembrado de pedir a opinião aos terráqueos, quando não o faz em outras questões que também nos causam distúrbios do sono, como a possibilidade de subida das taxas de juro, por exemplo.

*JORNALISTA

ver mais vídeos