Opinião

Os dias bons de Berardo

Os dias bons de Berardo

Depois do ato de contrição por um comportamento, na Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos, que chocou políticos e analistas, o empresário Joe Berardo, candidato a futuro ex-comendador, recentrou-se no nível habitual, ameaçando sentar os deputados na sala do tribunal, por permitirem a transmissão da audição no Canal Parlamento.

De certa forma, compreendo-o. Qualquer pessoa sensata com uma personalidade como a de Joe Berardo ficaria bastante aborrecida por todos o conhecerem melhor. Há ali pouca coisa capaz de orgulhar alguém.

Não se pense, porém, que os dias bons deste empreendedor condecorado estão à beira do fim. Depois de não lhe conseguirem cobrar um único cêntimo, descobrimos agora que o Estado poderá ver a coleção Berardo, avaliada em 316 milhões de euros - que tanto jeito davam às contas da CGD, cujas imparidades são pagas por todos os contribuintes - escapar pelo mesmo caminho. Tudo por causa de uma adenda, uma pequenina mas oportuna adenda no contrato que dá à Fundação a última palavra no caso de o Estado resolver exercer a opção de compra. Basta não concordar com o preço e o madeirense poderá banhar-se eternamente na genialidade dos Miró, Chagall ou Dali.

Conclui-se, portanto, que será preciso muito engenho para recuperar a dívida de Joe Berardo. Mas é nestas alturas que o país deve recorrer aos grandes especialistas, como aquele diretor das Finanças do Porto que prepara operações em segredo, monta as barracas à beira da estrada e cobra sem dó, sem piedade e, dizem os especialistas em direito tributário, sem legalidade. Será o Fisco português capaz de erguer a tenda à porta da Quinta da Bacalhôa?

Editor-executivo