Opinião

Toda a atenção a Trump

Toda a atenção a Trump

O presidente dos Estados Unidos desperta sensações díspares junto dos líderes mundiais, consoante os níveis de asseio nas formas de ver a política.

É uma espécie de farol para uma perigosa classe de extremistas que esbraceja pelo poder e um quase alienado para os outros, que têm de o suportar. O pior, no entanto, é ignorá-lo. Apesar de a paciência ter começado a esgotar-se ao fim de meia dúzia de meses de governação, mais perigoso ainda é desvalorizar as mensagens que Donald Trump vai produzindo.

Depois das críticas à União Europeia (EU), que acusou de dureza excessiva com o Reino Unido pela forma como conduziu o processo do Brexit, Trump atirou-se, recentemente, a Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, por aplicar políticas de gestão do Euro que permitem aos países da EU tornarem-se mais competitivos face ao dólar. No fundo, o inquilino da Casa Branca ficou indignado por os líderes europeus estarem a fazer o que lhes compete na defesa das suas empresas exportadoras, ações que só podem encerrar consequências positivas para os cidadãos do Velho Continente.

A administração norte-americana não consegue disfarçar o incómodo sempre que várias nações, como a União Europeia, ou uma grande nação-mercado, como a China, arriscam no sentido de zelar pela sua economia, fugindo a décadas de privilégios à norte-americana. A chegada de Trump a Washington agudizou o clima, pelo que o melhor mesmo é estarmos muito atentos, para não acontecer como em 2009, quando a Europa, especialmente países pequenos como Portugal e a Grécia, começaram a pagar a "crise do subprime" bolsista dos EUA. Com os mercados internos bloqueados, os investidores norte-americanos resolveram, na altura, especular com a dívida pública alheia e foi o que se viu. E ganharam milhões, que ainda estamos a pagar.

*EDITOR-EXECUTIVO