Opinião

#luzinha

São tempos tão difíceis, daqueles que quando pensávamos que não poderiam ser piores ainda se tornam mais horríveis, ao ponto de, se não fosse o resguardo da máscara, andaríamos todos na rua de boca aberta.

Ninguém sonhou com isto. Por natureza, o homem passa uma vida inteira a sonhar com a felicidade suprema, que pode chegar de todas as maneiras e alguns feitos, delgados ou tipo boneco da Michelin, consoante os tempos. Por exemplo, no século XVII, as mulheres roliças e os homens barrigudos estiveram na moda. Nos nossos dias é um pouco o oposto. E sabemos bem que há pessoas que só conseguem ser felizes se tiverem a silhueta perfeita. Não as censuro, cada um com as suas preferências.

Os meus prazeres são outros e, lá está, em períodos de escuridão como este, procuro os sorrisos em coisas menos exigentes, tipo os cominhos que vão dar o toque final de luxo na carne que tenho ao lume, ou o azeite virgem de Trás-os-Montes que fará do tomate que acabei de partir em rodelas gordinhas o suprassumo das iguarias mexicanas, passando assim, do meu castelo, a ver a forma de um frase feita que costuma dar jeito a muito político: há uma luzinha ao fundo do túnel. Neste caso, vem do fogão.

Jornalista

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