Opinião

#Neymar

João Vieira Pinto e Paulo Futre moveram montanhas de paixão na relva. Foram amados por adeptos de Benfica, Sporting e F. C. Porto. Vão continuar a ser admirados como encantadores de plateias, mestres do drible, incorrigíveis do golo. Foram transportadores de esperança, verde, azul, vermelha, e a glória ergueu-os até ao estatuto, tão raro, de heróis do povo da bola, daqueles que todos gostam, independentemente das cores clubísticas. São gémeos na diferença, porque eram iguais, dois bons malandros, à maneira de Mário Zambujal. João Vieira Pinto e Paulo Futre foram, lá está, os melhores que conheci nas fintas aos árbitros com mergulhos convincentes dentro da grande área. Tantos juízes enganados, aconteceu mesmo assim, mas até isso foi emoção e festa, porque, normalmente, o penálti dá em golo. Estão, portanto, perdoados. Mas ninguém perdoa a Neymar. Nem eu, que repliquei uma engraçada provocação numa rede social. Estou arrependido da minha maldade, ainda que não tenha importância nenhuma. Este brasileiro, que ontem foi para casa em lágrimas, merecia ter ficado até ao fim no Campeonato do Mundo. Ninguém cai como Neymar, mas também poucos encantam, lutam e choram como ele pela honra do Brasil. Merecia mais tempo na Rússia - onde a festa verde e amarela desse incrível povão vai fazer falta. Ficamos, ansiosos, à espera do próximo penteado.

Jornalista