Opinião

No mobilizar está o ganho

No mobilizar está o ganho

Um dos primeiros sinais de que vivíamos tempos delicados foram aquelas filas intermináveis nas caixas dos hipermercados.

Passou um ano e meio e agora sabemos que eram dispensáveis, que a pandemia não nos tirou os bens essenciais, pelo menos àqueles que tiveram a felicidade de conservar o emprego, porque se há drama evidente que a covid-19 nos deixa é uma profunda crise social, ainda que os contornos da convulsão estejam longe de se resumir aos rendimentos perdidos pelas famílias.

As filas, entretanto, continuam. Deram sossego às operadoras de caixa do comércio e foram engordar à porta dos centros de vacinação. Os profissionais do Serviço Nacional de Saúde estão a fazer um esforço assinalável para inocular massivamente, mas sem mais doses é impossível acelerar a imunização da comunidade. E também é verdade que nem todos pretendem ser vacinados, como sublinhou ontem, na reunião no Infarmed, a epidemiologista Carla Nunes, estribando esta afirmação num estudo recente.

Mas como todos os peritos na matéria nos dizem que não há outro caminho para travar a pandemia, é necessário acautelar com doses graúdas de bom senso a forma como decorre o acesso à vacinação. Por exemplo, a task force só devia abrir o registo a um novo setor etário quando, efetivamente, estivesse em condições de garantir sucesso à nova inscrição.

Bater com o nariz na porta, como está a acontecer, pode ser contraproducente. A alternativa, para os jovens até aos 23 anos, tem sido meterem-se na fila ao final da tarde, na esperança de terem sobrado algumas doses no ponto de vacinação mais próximo.

Não estará esta situação a contribuir para desmobilizar? Sabemos que só sairemos disto se as responsabilidades individuais forem assumidas, mas não há nada mais desmobilizador do que uma placa "esgotado" ou "volte mais tarde".

*Chefe de redação

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG