Opinião

No poupar está a perda

No poupar está a perda

A realidade é terrível, não há como esconder. O quadro dantesco que ensombrou Itália na primeira vaga de covid-19 na Europa encontra paralelo, agora, em Portugal.

As ilações políticas serão tiradas mais tarde, mas é inadmissível evitar e encerrar discussões ou adubar focos de unanimidade "a bem da nação". É necessário continuar a identificar o que está mal, dizê-lo vezes sem conta e obrigar os responsáveis a atuar, sem contemplações ou benevolência perante teorias como a de "salvar o Natal". Não só não salvámos nada como, provavelmente, a nossa postura negligente terá custado muitas vidas.

A eficácia das medidas ontem reforçadas, é bem verdade, será maior se a comunidade for responsável, mas isso não invalida que tenham chegado tarde. Aos políticos que escolhemos - ou que nos abstemos de escolher, ficando em casa, porque em Portugal o voto não é obrigatório - compete, sobretudo, regular o funcionamento do Estado e intervir a fundo em setores cirúrgicos. Numa conjuntura dramática como esta, nada pode ser deixado ao acaso. A propósito, é com estranheza que vejo as decisões da STCP e da Carris, que na semana passada resolveram comunicar uma redução da oferta. A estratégia até pode ser economicamente compreensível, atendendo ao dinheiro que as empresas vão poupar em combustíveis, mas no âmbito do combate à pandemia é prejudicial e injustificável. Se na passada semana andávamos como sardinha em lata em algumas carreiras, o desanuviamento expectável por menos pessoas usarem os transportes não acontecerá, porque o corte na frequência terá como resultado, precisamente, maior concentração de utilizadores em cada viatura.

Conhecidas, na sexta-feira, as supressões de carreiras, o que fez o Governo? Nada. Suspeito que vai aparecer, um dia destes, um especialista qualquer a confirmar que o problema não está nos transportes.

Chefe de Redação

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